Cancro da mama: saiba identificar os sinais de alarme

Em Portugal, por ano, surgem cerca de 5000 novos casos de cancro na mama. O diagnóstico precoce é muito importante.

Esteja atento aos sinais de alerta e principais mecanismos de prevenção.

Sintomas

Perda de peso inexplicável

Para todas as mulheres, pode parecer milagre a perda de peso (5 ou mais quilos) de forma repentina e inexplicável. No entanto, este sintoma deveria ser motivo de preocupação, já que é um dos primeiros sinais de cancro da mama.

Cansaço

Sentir-se cansada depois de um dia de trabalho ou de uma situação tensa é muito comum.

O risco começa a existir quando o cansaço se torna crónico e não desaparece, apesar de dedicarmos o tempo necessário ao descanso.

Sangramento ou hemorragias anormais

Qualquer tipo de sangramento ou hemorragia sem ser esperada pode ser um sinal de alerta, seja de cancro ou de outra doença. No geral, as mulheres com a doença apresentam sangramento no mamilo.

Nódulos

A maioria dos nódulos costuma ser benigna, mas mesmo assim devemos estar atentas.

Durante anos fomos advertidas de que os nódulos nos seios podem ser um sinal de cancro. No entanto, o seu aparecimento nem sempre significa a doença, já que os nódulos podem surgir por uma infeção ou cistos.

Alteração na pele

A pele que cobre o seio também pode sofrer alterações que nos alertam sobre a possível presença do cancro. Entre os sinais destacamos a vermelhidão, presença de feridas, mudanças de cor, celulite ou aspeto «casca de laranja».

Retração dos mamilos

Ao examinar os seios, é muito importante observar com atenção os mamilos para verificar se estão normais e não apresentam nenhuma alteração.

A retração dos mamilos é um sintoma quase evidente de cancro da mama.

Dor na mama

Nas primeiras etapas, é pouco comum sentir dor nas mamas ao apertar ou apalpar um pouco os seios.

No entanto, quando a doença começa a avançar, é muito comum sentir sensibilidade e dor nos seios ao tocá-los.

É importante lembrar que devemos ficar atentas para não confundi-la com a dor causada pela tensão pré-menstrual, ou por alguma infeção como a mastite.

Mudanças no tamanho das mamas

O tamanho das mamas é muito importante para detetar a tempo o cancro. Notar que uma delas está inflamada ou com um tamanho diferente é um sinal que requer atenção imediata.

Secreção no mamilo

Algumas vezes, a secreção no mamilo não é um problema e desaparece depois de poucos dias.

No entanto, em muitos casos foi reportado este aspecto como um dos sintomas, já que as mulheres diagnosticadas manifestaram ter uma secreção com odor forte em um ou nos dois mamilos.

 

Fatores de risco

As investigações têm demonstrado que há mulheres que apresentam um risco aumentado para cancro da mama, que podem estar associado a determinados fatores de risco, já identificados:

Idade: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com a idade; uma mulher com mais de 60 anos apresenta um maior risco. A doença é menos comum antes da menopausa.

Histórico familiar e alterações genéticas: o risco de uma mulher ter cancro da mama aumenta se houver histórico familiar da doença, especialmente em idades mais jovens (antes dos 40 anos). Em famílias onde muitas mulheres tiveram a doença, os testes genéticos podem, por vezes, demonstrar a presença de alterações genéticas específicas. Assim sendo, as mulheres que apresentem estas alterações genéticas, podem ser seguidas para tentar reduzir o risco de cancro da mama e melhorar a deteção precoce da doença.

Algumas alterações da mama: algumas mulheres apresentam células mamárias que parecem anormais quando vistas ao microscópio. A existência de determinado tipo de células anormais, quer sejam a hiperplasia atípica ou o carcinoma lobular in- situ, aumenta o risco de cancro da mama.

Primeira gravidez depois dos 31 anos

Menstruação precoce: mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos), tiveram uma menopausa tardia (após os 55 anos) ou que nunca tiveram filhos apresentam um maior risco.

Terapêutica hormonal de substituição: mulheres a quem é administrada terapia hormonal, durante 5 ou mais anos, após a menopausa apresentam uma maior possibilidade de desenvolver cancro da mama.

Raça: o cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente a mulheres latinas, asiáticas ou afro-americanas.

Radioterapia no peito: mulheres que tenham feito radioterapia ao peito, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado para cancro da mama; esta situação inclui mulheres com linfoma de Hodgkin que foram tratadas com radiação.

Densidade da mama: mulheres mais velhas que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia.

Obesidade após a menopausa: as mulheres que são obesas, após a menopausa, apresentam um maior risco de desenvolver cancro da mama.

Inatividade física: mulheres que são fisicamente inativas, durante a sua vida, parecem ter um risco aumentado para cancro da mama.

Bebidas alcoólicas: alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e o risco aumentado de ter cancro da mama.

No entanto, a maioria das mulheres que desenvolvem cancro da mama não tem histórico da doença na família. Com exceção do envelhecimento, muitas mulheres com cancro da mama não apresentam fortes fatores de risco.

Tratamentos

A cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais que destroem e removem as células cancerígenas provocadas pela doença. Este tratamento pode não ser suficiente. No caso de o cancro se ter ramificado, a terapêutica local será realizada apenas para controlar a doença nessa parte do corpo.

A quimioterapia, a terapêutica hormonal e as terapêuticas dirigidas são as outras opções de tratamento. São, por sua vez, administradas no sangue e têm como objetivo controlar ou matar o cancro em todo o corpo.

Em alguns casos, aplicam a terapêutica sistémica para reduzir o tamanho do cancro. Isto permite que a intervenção cirúrgica ou de radioterapia seja menos evasiva. Este tipo de tratamento é usado nos cancros já metastizados (ramificados).

Mitos

Os riscos de contrair cancro da mama são muitos e variados. Aumentá-los com mitos urbanos parece ser uma tentação irresistível. Importa distingui-los.

Hábitos como estes não são perigosos para o cancro da mama:

  • Usar desodorizante/ antitranspirante;
  • Usar soutien com aros;
  • Levar uma pancada na mama;
  • Beber água quente de uma garrafa de plástico;
  • Pintar o cabelo ou lavá-lo com champô.

Prevenção

O primeiro passo é a alimentação saudável, rica em fruta e legumes. Evitar o excesso de gordura, evitando assim o excesso de peso.

A prática de exercício físico é essencial para uma vida saudável, nem que seja uma caminhada. Fazer desporto é uma ótima forma de combater o stress, reação que contribui para a diminuição da imunidade do nosso organismo. Não fumar e beber com moderação. Amamentar durante o maior tempo possível. E por último, sabermos reconhecer as alterações que podem ocorrer no nosso corpo de forma a detetar qualquer mudança, o mais prematuramente possível.

Se pensa estar em risco, deve discutir esta questão com o médico, que lhe deve planear um calendário adequado para os exames médicos.