“26 anos, 26 testemunhos” – Filipe Chibante

13 Agosto, 2021

Filipe Chibante, diretor do Serviço de Instalações e Equipamentos (SIE), conhece o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) como a palma das suas mãos. Tem 1001 histórias para contar sobre o Hospital, mas foi necessário escolher algumas para ilustrar o seu percurso na Instituição.
É mais um capítulo da rúbrica “26 anos, 26 testemunhos”. A propósito do 26.º aniversário da Instituição damos a conhecer o testemunho de profissionais que trabalham no Hospital desde a primeira hora.

“Entrei no HFF no dia 1 fevereiro de 1995 como fiel de armazém, contratado a recibos verdes com a categoria de auxiliar de apoio e vigilância, após uma tentativa falhada de admissão na universidade”, começa por contar Filipe Chibante. Quando iniciou funções tinha a certeza absoluta que não ficaria mais de cinco meses, uma vez que, como todos os anos anteriores, não poderia deixar de ter os merecidos três meses de férias de verão, confessa.
À época um jovem de 18 anos, recorda como se fosse hoje o impacto inicial: “entrei num hospital que naquela altura estava praticamente deserto, com apenas 20 pessoas a trabalhar, gerido por uma comissão instaladora onde tudo estava a nascer”. É por isso que diz, com a sua característica boa disposição, que aquele começo “foi quase como tirar um curso em gestão hospitalar avançada”.
O acesso inicial ao hospital era feito por uma estrada de terra batida que passava no meio da urbanização que anos mais tarde viria a nascer ao lado do HFF. Chegar ao Hospital era assim uma aventura e se os acessos hoje são bastante diferentes, essa “aventura” perdura até hoje, 26 anos depois!

Iniciada a sua etapa no armazém, lembra-se da primeiríssima missão: um camião TIR carregadinho de lençóis e fardamento para descarregar e guardar em prateleiras por tamanhos e tipologia, num dia com a temperatura a marcar 30 graus. “Nada de pior podia acontecer na minha vida profissional, pensava eu!”, ri-se agora, mas garantidamente que nesse dia o sorriso deve ter ficado soterrado debaixo daquelas toneladas de roupa.
Seis meses mais tarde surgiu um inesperado convite. Gostariam que integrasse a equipa de compras e logística.
Era o início de um percurso profissional marcado por concursos públicos, tramitações de processos, gestão e uma área que mais tarde se tornaria o meu caminho profissional: as instalações e equipamentos.
Em fevereiro de 1996, o HFF passou a ser gerido pela José de Mello Saúde, no âmbito de uma Parceria Público-Privada entre essa entidade e o Estado português. Com essa mudança passou também a ter um contrato de trabalho a termo incerto, pelo que estava efetivo na Instituição!
A José de Mello Saúde esteve 13 anos à frente da gestão do HFF, até 31 de dezembro de 2008. Filipe Chibante considera que foram anos de aprendizagem, novos desafios, novas abordagens e novos conhecimentos sobre investimentos e manutenção.
Entretanto, entre 1999 e 2003, conclui um outro objetivo pessoal e obtém uma licenciatura, sendo que com esse grau académico outras perspetivas se abriram, designadamente o início da carreira de técnico superior. “Em 2004, iniciei o meu percurso mais dedicado à área de manutenção, assumindo a responsabilidade pelo SIE fevereiro de 2019”, resume desta forma uma parte extremamente desafiante da sua vida profissional.

Este tipo de textos assim o permite e damos um salto para a atualidade. “Os últimos dois anos foram extenuantes para todos os profissionais de saúde, principalmente para a chamada ‘linha da frente’, mas sem dúvida que também foram muito cansativos para todas as outras áreas clínicas e não-clínicas”, reconhece Filipe Chibante.
Com certeza que todos estes profissionais fizeram o melhor que sabiam e todos estão hoje mais bem preparados para futuras pandemias. Foi também nesta pandemia que viveu um dos momentos mais delicados em toda a sua vida profissional no HFF.
“Ter de informar o Conselho de Administração que, devido à pressão sobre a rede de oxigénio medicinal resultante do elevadíssimo número de doentes com COVID-19 que estavam internados, era necessário transferir doentes para outras unidades hospitalares”, refere. Mas a emoção de recordar esse momento é acompanhada da certeza de ter sido a decisão mais adequada, pois, diz Filipe Chibante, “com isso conseguiu-se salvaguardar a segurança dos doentes”.

No SIE não há dias monótonos e não há descanso. Mas, para o diretor do SIE há um outro dado adquirido: “há sempre vontade de fazer melhor e principalmente que todos os sistemas, equipamentos, transportes, vigilância e instalações cumpram a sua função em segurança, sendo sempre o foco a atenção aos nossos profissionais e utentes”, diz com assertividade.
Passados 26 anos, “posso afirmar que o HFF, foi sem dúvida a melhor escola que podia ter tido, aqui fiz amigos, aprendi, ganhei cabelos brancos, estudei e formei-me”. É, assim, com indisfarçável orgulho que afirma que cresceu numa instituição que o apoiou e na qual tenta todos os dias retribuir da melhor forma possível.
Todos os dias aparecem novos e desafiantes projetos para concretizar, o que só é possível, diz, “graças ao trabalho de uma equipa multidisciplinar e com competência técnica para enfrentar a complexidade que tem um hospital com mais de três mil funcionários”. Mas novos desafios estão já aí, pois brevemente nascerá a Unidade de Psiquiatria e o novo Hospital de Proximidade de Sintra, que ficara integrado no HFF.
“Estou a preparar os próximos 20 anos”, diz Filipe Chibante. Que sejam tão ricos como os últimos 20, desejamos nós!

Fotografias de arquivo.