Processos Assistenciais Integrados: uma ferramenta para cuidados de saúde seguros e de qualidade

30 Novembro, 2021

A prestação de cuidados de saúde segura e de qualidade é, naturalmente, um propósito fundamental das unidades de saúde. O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) assume diariamente esse compromisso para com os seus/suas utentes, dispondo de diversas ferramentas para o atingir.

Dentro dessas ferramentas, uma delas é a designada “Processos Assistenciais Integrados” (PAI), cuja implementação é requerida para o processo de Certificação de acordo com o modelo ACSA, o modelo escolhido no nosso país para a certificação para as Instituições do Serviço Nacional de Saúde. O Enfermeiro João Vieira é o diretor do Serviço de Qualidade do HFF e ajuda-nos a compreender melhor este tema.

“Os PAI são uma ferramenta que coloca o utente, com as suas necessidades e expetativas, no centro do sistema de saúde”, começa por explicar João Vieira. A sua utilização possibilita analisar todas as partes interessadas que intervêm na prestação de cuidados de saúde e ordenar os diferentes fluxos de trabalho, integrando o conhecimento atualizado, homogeneizando as atuações e colocando ênfase nos resultados, a fim de dar resposta às expectativas quer dos cidadãos quer dos/as profissionais de saúde.

A continuidade assistencial e a coordenação entre os diferentes níveis de cuidados, são reconhecidas como elementos essenciais para garantir que o doente recebe os melhores cuidados de saúde, atempados e efetivos e com base na evidência e no consenso científico. É por esse motivo que, explica João Vieira, “a abordagem por Processos é multidisciplinar, integral e integrada, devendo contemplar todos os atos e intervenções em qualquer ponto de cuidados, do início ao fim do processo, de modo a oferecer ao utente todos os cuidados que necessita, de forma comoda, mas também de modo a otimizar os recursos e meios necessários”.

O HFF tem em vigor nos Centros de Referência, o PAI Cancro do Reto e o PAI Cancro Hepato‑Bilio‑Pancreatico, constituindo-se como dois documentos de referência para o nível de certificação alcançado. Estes PAI, bem como todos os outros, são processos dinâmicos e que requerem monitorização e revisão periódica de modo a os ajustar às melhores práticas clínicas, ao risco clínico e à segurança de todos/as os/as utilizadores/as.

Por outro lado, as atividades assistenciais baseadas na melhor evidência científica disponível, respeitam o princípio do uso otimizado de tecnologias da saúde e orientam a adoção de atuações terapêuticas de demonstrada efetividade clínica. Tudo isto ao mesmo tempo que se garante ao cidadão a qualidade clínica que é consagrada como um dos seus principais direitos.

Assim, os PAI requerem o empenho e a coordenação das direções de topo, assim como o envolvimento dos/as profissionais indispensáveis a sua implementação. “No HFF entendemos os PAI como uma ferramenta muito útil para que a Instituição preste cuidados de saúde de elevada qualidade, e embora esteja implementada em duas áreas muito específicas, proporciona toda uma experiência e um conjunto de ensinamentos que utilizamos em diversos outros domínios da prestação de cuidados de saúde”, conclui João Vieira.