No âmbito da sessão da ULS Amadora/Sintra que teve lugar no dia 29 de janeiro, foi apresentada uma visão integrada do controlo da dor oncológica, salientando o contributo dos procedimentos minimamente invasivos como complemento à terapêutica farmacológica.
Promovida pela Unidade da Dor, a sessão enquadrou a importância de uma abordagem multidisciplinar, articulando Oncologia, Cuidados Paliativos e Medicina da Dor, com foco na melhoria funcional e na qualidade de vida.
Este assunto assume particular importância, tendo em conta que a tipologia da dor no doente oncológico (nociceptiva, neuropática e nociplástica) é uma realidade que afeta a maioria dos doentes submetidos a tratamentos oncológicos. As ações de controlo da dor foram revistas, sublinhando-se também a dor persistente associada ao tratamento e à sobrevivência oncológica.
Na prática clínica da ULS Amadora/Sintra, delimitaram-se critérios práticos de referenciação para avaliação intervencionista, incluindo dor refratária, toxicidade limitante por opióides, comorbilidades que restringem fármacos e necessidade de controlo rápido de dor focal. Em seguida, organizaram-se as principais opções técnicas para dor oncológica visceral, com destaque para bloqueios/neurólises do plexo celíaco e nervos esplâncnicos, plexo hipogástrico superior e gânglio ímpar.
Durante a sessão, que contou com a apresentação de Nuno Silva, médico da Unidade da Dor, foram ainda abordadas técnicas dirigidas ao nervo periférico e planos fasciais em síndromes pós-cirúrgicos e pós-radioterapia, bem como opções neuroaxiais (cateteres externos, sistemas com port-a-cath intratecal e bombas implantáveis), integrando aspetos de monitorização, complicações e seguimento.
De acordo com Nuno Silva, “nesta abordagem de controlo e mitigação da dor, incluiu-se a vertebroplastia como opção terapêutica de grande valor em situações selecionadas de dor vertebral associada a doença oncológica”.
A exposição foi sustentada por exemplos clínicos representativos, evidenciando ganhos em analgesia, redução de efeitos adversos e racionalização da escalada opióide.
“A integração atempada e criteriosa de técnicas intervencionistas, dentro de um circuito assistencial estruturado, pode otimizar resultados clínicos e a eficiência do cuidado ao doente oncológico”, conclui Nuno Silva.