Os doentes e profissionais do internamento do Hospital de Sintra, da ULS Amadora/Sintra, assistiram à antestreia da peça de teatro radiofónico “Consoada na Aldeia”, protagonizada pelo Grupo de Teatro Radiofónico — um projeto recente do Espaço Capaz, centro de promoção do envelhecimento ativo, saudável e inclusivo da Santa Casa da Misericórdia de Sintra.
Composto por dez elementos, o grupo transportou o público para o universo do teatro radiofónico através de sons, vozes e ambientes cuidadosamente construídos, evocando o encanto e a magia de uma forma artística que remete para “outros tempos”, quando a rádio era um dos principais meios de acesso à cultura.
À margem da apresentação, Tânia Sécio, animadora sociocultural do Espaço Capaz, e Liliana Matos, autora do texto original da peça e responsável pela recolha musical e narrativa, explicaram o significado e o processo de construção deste projeto de teatro radiofónico.
Para Liliana Matos, “o teatro radiofónico é o regresso ao passado de muitos de nós, de várias gerações que ainda estão entre nós e que viveram numa época em que não havia televisão. Era absolutamente necessário, não só como forma de entretenimento, mas também como meio de promover a união entre famílias e amigos.” A autora sublinha ainda a importância cultural deste formato: “Mesmo aqueles que não sabiam ler tinham acesso a grandes obras de escritores portugueses e estrangeiros. Foi também no teatro radiofónico que se formou uma verdadeira ‘fornada’ de grandes atores, como Ruy de Carvalho, Carmen Dolores ou Eunice Muñoz, que mais tarde transitaram para o teatro cénico.”
Por sua vez, Tânia Sécio destacou o trabalho desenvolvido pelo grupo: “Replicar o teatro radiofónico desta forma, de modo autodidata e com escrita criativa original, exige muitas horas de dedicação, tentativas e erros. Estamos extremamente orgulhosos do trabalho realizado, assente num texto original da Liliana Matos e no empenho de todos os atores que integram este projeto.”
A animadora sociocultural acrescentou ainda que, nesta fase, o grupo está a trabalhar peças com temática natalícia: “O Natal funciona como uma verdadeira catarse coletiva, despertando memórias e sentimentos comuns. Transporta-nos para valores essenciais como a família, o respeito, o afeto e a reflexão”.