Hospital Fernando da Fonseca assinala Dia Mundial da Luta Contra a SIDA com apelo à informação e ao rastreio

1 Dezembro, 2025

Hoje, dia 1 de dezembro, a equipa médica, que na ULS Amadora/Sintra se dedica à prevenção, diagnóstico e tratamento da infeção VIH/SIDA, une-se para assinalar o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, reforçando uma mensagem que consideram essencial: a luta contra o VIH faz-se com informação, prevenção, rastreio e tratamento.

É importante conhecer os dados epidemiológicos da região:

Sabia que os concelhos da Amadora e de Sintra apresentam as taxas médias de novos diagnósticos mais elevadas do país? E que a idade média dos novos diagnósticos nestes concelhos é de 39 a 40 anos? E que a via de transmissão mais frequente é a sexual, sobretudo heterossexual?

É errado pensar que a infeção por VIH ocorre apenas em jovens, em pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou exclusivamente entre homens que têm sexo com homens. Na realidade, pode ocorrer em qualquer pessoa com vida sexual ativa, mesmo no contexto de uma relação monogâmica estável. A infeção por VIH tem um longo período assintomático (entre 5 e 10 anos), pelo que alguém pode estar infetado e transmitir o vírus sem suspeitar.

Felizmente, a ciência avançou extraordinariamente ao longo dos anos — hoje, viver com VIH é compatível com uma vida longa e saudável, desde que exista diagnóstico precoce e acompanhamento adequado. Para isso, é fundamental eliminar o estigma, falar abertamente sobre saúde sexual e garantir que todas as pessoas tenham acesso aos cuidados de que precisam.

🔹 Prevenir: O uso do preservativo, a PrEP e a PPE são ferramentas eficazes para reduzir o risco de infeção. O acesso à consulta de PrEP tem de ser melhorado, e estamos a trabalhar em soluções integradas na ULS para aumentar a capacidade de resposta institucional.

🔹 Rastrear: Fazer o teste é simples, rápido e confidencial — todas as pessoas devem realizar o teste de VIH pelo menos uma vez na vida. Os testes rápidos podem ser feitos gratuitamente em unidades de rastreio na comunidade (ONG ASHeAS e AJPAS), podem ser solicitados nos Centros de Saúde/USF e também em contexto hospitalar (consulta ou internamento). Existem ainda autotestes, que podem ser realizados pela própria pessoa no seu domicílio e adquiridos nas farmácias.

🔹 Tratar: A adesão à terapêutica permite inibir a replicação do vírus e recuperar o sistema imunitário. Assim, a pessoa com VIH pode ter uma vida completamente normal. É igualmente importante reforçar que uma pessoa com carga viral indetetável não transmite a infeção. O conceito Indetetável = Intransmissível é sustentado por forte evidência científica: manter a carga viral indetetável elimina a transmissão.

Neste dia, todos nós — médicos que acompanhamos, neste hospital, pessoas que vivem com VIH ou que fazem prevenção — reforçamos o nosso compromisso com cada utente e com toda a comunidade: estamos aqui para cuidar, informar e acompanhar.

A prevenção começa na informação e a mudança começa em cada um de nós!