Nos dias 25 e 26 de setembro, o Serviço de Otorrinolaringologia da ULS Amadora/Sintra organizou o 1º Congresso Internacional sobre Disfagia Orofaríngea (dificuldade na deglutição), que reuniu mais de 250 participantes no Hotel Olissippo Oriente, em Lisboa, e no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF).
Esta condição, que afeta milhares de pessoas em todo o mundo e é particularmente prevalente em idosos e em doentes com AVC, demências ou neoplasias da cabeça e pescoço, foi o centro de um encontro marcado pela partilha de conhecimento, inovação e boas práticas.
O Congresso evidenciou a importância de uma abordagem multidisciplinar no diagnóstico, tratamento e acompanhamento do doente com disfagia orofaríngea. Como sublinham os membros da Comissão Científica, composta pelo Dr. Filipe Freire, Dra. Mafalda Trindade Soares e a Terapeuta da Fala, Ana Rita Costa Alemão: «Ninguém trata da disfagia sozinho. É preciso juntar várias especialidades e grupos profissionais para garantir uma avaliação completa do doente.»
Os membros da Comissão Cientifica reforçam ainda: «Hoje sabemos que a pneumonia diagnosticada em idades avançadas tem, muitas vezes, na sua origem, a disfagia orofaríngea. É fundamental, por isso, estar atento, diagnosticar precocemente, tratar e acompanhar de perto os doentes com disfagia, de modo a evitar complicações graves e temíveis que aumentam a morbilidade e mortalidade destes doentes.»
Um encontro de referência internacional
O 1º Congresso Internacional contou com uma componente teórica e 10 workshops práticos, com a participação de especialistas de renome nacional e internacional, tais como o Professor Doutor Pere Clavé, antigo presidente e fundador da European Society of Swallowing Disorders e atual Diretor de Investigação, Inovação e Desenvolvimento Académico do Hospital de Mataró (Espanha) e a Professor Doutora Eliézia Alvarenga, professora da Universidade de São Paulo e responsável por diversos cursos dedicados à disfagia orofaríngea, entre muitos outros convidados de excelência.
No HFF, local de realização dos workshops práticos, os participantes puderam experienciar o contributo das diferentes valências que intervêm na avaliação e tratamento do doente com esta condição. Tiveram, assim, à sua disposição workshops tais como: o papel da saúde oral no doente com disfagia orofaríngea; adaptação da alimentação e nutrição do doente com disfagia orofaríngea, aplicação do método de exploração volume-viscosidade (MECV-V); workshops sobre técnicas de avaliação instrumental como a videoendoscopia da deglutição, videofluoroscopia e manometria faringoesofágica de alta definição; workshops sobre estratégias de reabilitação pela terapia da fala, tratamento da sialorreia com recurso a injeção de toxina botulínica e também workshop cirúrgico “hands-on”, onde foram abordadas várias técnicas cirúrgicas utilizadas no tratamento destes doentes.
Um problema de saúde pública
Este primeiro congresso internacional dedicado à disfagia orofaríngea refletiu o empenho e dinamismo dos profissionais do HFF e destacou a relevância desta condição como um verdadeiro problema de saúde pública, sendo amplamente reconhecido que a deteção precoce pode evitar complicações sérias, como pneumonia de aspiração, desnutrição e desidratação, reduzindo tempos de internamento, custos associados e melhorando significativamente a qualidade de vida dos doentes.
Como reforça a Dra. Mafalda Trindade Soares: «Nesta iniciativa partilhámos o que de melhor se faz a nível internacional e começámos já a adaptar essas práticas à realidade portuguesa no HFF. Os hospitais estão capacitados para tratar doentes com disfagia, mas é fundamental organizarem-se de forma a tirar o melhor proveito dos recursos disponíveis. É um caminho que toda a equipa multidisciplinar do HFF ajudou a construir e de que muito nos devemos orgulhar.»
O congresso pela “voz” dos participantes
«Gostei muito do curso e achei muito útil para a minha prática clínica. Ouvi coisas que já sabia, outras que já não me lembrava e, acima de tudo aprendi coisas novas. A equipa organizadora fez um excelente trabalho nas escolhas dos formadores, porque conseguiram cativar a atenção e explicar de uma forma prática. Espero que haja uma nova edição.»
Daniela Costa, Instituto Luso-cubano de Neurologia, Porto.
«Este foi um curso teórico-prático muito completo, de elevada qualidade nos conteúdos apresentados e palestrantes convidados. Durante os dois dias, combinaram-se vários profissionais que partilharam os seus conhecimentos e experiência, na identificação e tratamento de uma condição tão complexa como a disfagia, que exige uma abordagem integrada de várias disciplinas e especialidades e cujas complicações associadas tanto impactam a pessoa com disfagia e a sua qualidade de vida. Parabéns à comissão organizadora, com a expectativa de que seja um momento a repetir!»- Mariana Ferreira, ULS Coimbra, CMRRC – Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro Rovisco Pais
«Foram dois dias de excelentes partilhas de conhecimentos, que agora trago na minha bagagem até Guimarães, para tornar a minha atuação, enquanto profissional de saúde ainda melhor. Adoraria uma segunda edição deste curso internacional de DO, aqui no Norte, que com certeza mobilizaria ainda mais profissionais de saúde.»
Sara Veloso, Hospital Narciso Ferreira, Guimarães.