28 de Abril – Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho

28 Abril, 2024

No dia 28 de Abril é celebrado o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho com o objetivo de homenagear todas as vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais. Este ano, para assinalar a data, a Organização Internacional do Trabalho escolheu abordar o tema Impactos das Mudanças Climáticas na Segurança e Saúde no Trabalho, de forma a sensibilizar a população para este assunto.

As grandes mudanças climáticas advêm sobretudo do impacto do ser humano sobre o planeta e acarretam novos riscos para a saúde dos trabalhadores, qualidade de trabalho e produtividade. A exposição a temperaturas extremas, poluição ambiental, radiação ultravioleta, aumento de doenças transmitidas por vetores, são alguns dos desafios associados às mudanças climáticas. Entre os diversos fatores de risco emergentes, o aquecimento global e a exposição ao calor têm sido os mais estudados, assim como os seus efeitos na saúde e segurança dos trabalhadores.

Um estudo lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que as economias já enfrentam perdas de 10% nas horas trabalhadas devido às condições térmicas nos locais de trabalho. A previsão é de que as mudanças climáticas possam prejudicar ainda mais a aptidão do trabalhador para desempenhar suas funções nas próximas décadas, devido a ondas de calor mais frequentes e períodos mais longos de tempo quente no verão.

Todos os trabalhadores estão sujeitos a algum tipo de impacto decorrente das mudanças climáticas, sobretudo os que trabalham em ambientes externos. Contudo, os ambientes interiores também podem ser afetados, quando a climatização artificial não consegue garantir os parâmetros ambientais em níveis confortáveis.

Como resultado, há um risco aumentado de desconforto, limitação das funções físicas e capacidades cognitivas. Em última análise, existe o risco de desenvolvimento de doenças relacionadas com exposição ao calor, manifestadas por lesões cutâneas, cãibras e exaustão.

Na ULS Amadora/Sintra a exposição ao calor pode afetar desde pessoal alocado ao interior das instalações (médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes operacionais, administrativos, entre outros), assim como profissionais com trabalho ao ar livre (motoristas, pessoal da manutenção), o que exige a adoção de medidas a vários níveis, desde as infraestruturas a medidas organizacionais e individuais.

O HFF tem realizado grandes investimentos com o objetivo de uma utilização mais eficiente de recursos e promoção de maior capacidade para enfrentar os novos riscos climáticos. Em 2021 investiu-se na recuperação das paredes exteriores e melhoria da eficiência energética dos edifícios hospitalar e industrial, através da colocação de revestimento para isolamento térmico pelo exterior. Esta intervenção permitiu a melhoria do conforto térmico e da eficiência energéticas dos edifícios. Em 2022 entraram em funcionamento no HFF painéis fotovoltaicos que permitem que o consumo de energia do edifício industrial do Hospital seja exclusivamente feito com origem solar, com ganhos em consumo para todo o Hospital.

Além do isolamento térmico e climatização dos edifícios, outras medidas preconizadas são a redução da produção de calor emitido por equipamentos no interior de instalações, seleção de tecidos leves para a produção de vestuário e a aplicação de estores ou películas para janelas.

Do ponto de vista da proteção individual, os trabalhadores devem estar atentos a uma maior necessidade de ingestão de água. Os que têm atividade ocupacional no exterior, não devem dispensar a aplicação de protetor solar (devendo esta ser uma medida adotada por todos), a utilização de vestuário protetor, incluindo chapéus, e a realização de pausas em locais frescos em horas de maior perigo de exposição.

O Serviço de Saúde Ocupacional realiza periodicamente, ou de acordo com as necessidades manifestadas pelos serviços, a avaliação dos parâmetros de conforto térmico, propondo e agilizando medidas preventivas/ corretivas, com vista ao bem-estar dos trabalhadores e cumprimento da legislação em vigor. Assegura, ainda, a vigilância da saúde dos trabalhadores, com a identificação do impacto na saúde da exposição aos fatores de risco ocupacionais, incluindo stress térmico.

Trabalhar num planeta mais quente é um desafio, e cabe a todos nós desenvolver estratégias eficazes para mitigar esses efeitos quer a nível organizacional e individual.