Conhecer a população, antecipar riscos, promover a saúde e prevenir a doença. Estas são algumas das missões da Saúde Pública. Neste oitavo momento da rubrica: “Um mundo com vários mundos: o internato médico por Quem cá está!”, conversámos com dois jovens especialistas que escolheram esta área para fazer a diferença na vida das comunidades.
Francisca Pulido Valente e Dinis Loyens realizaram o seu internato de formação especializada na Unidade de Saúde Pública da ULS Amadora/Sintra e optaram por permanecer na instituição após a conclusão da sua formação.
Nesta entrevista, partilham o que os levou a escolher esta especialidade, o que distingue a formação na nossa ULS e o impacto que a Saúde Pública pode ter na vida das pessoas.
O que distingue o internato de Saúde Pública na ULS Amadora/Sintra?
Francisca Pulido Valente (FPV) – “Aqui dão-nos muita autonomia e responsabilidade para desenvolver o nosso trabalho, mas também muita liberdade para explorar os nossos interesses. Conseguimos aproximar-nos das áreas da Saúde Pública de que mais gostamos e somos muito incentivados pela Coordenação da Unidade de Saúde Pública e pelos orientadores a desenvolver projetos de investigação, tanto entre internos, como em colaboração com entidades externas. Existe uma grande proximidade com os nossos superiores e sentimos sempre apoio para concretizar aquilo que ambicionamos fazer.”
Dinis Loyens (DL) – “Partilho dessa visão. Existe liberdade para crescermos e investirmos na nossa formação, seja através de cursos, mestrados ou doutoramentos. Além disso, temos uma proximidade privilegiada a instituições de referência, como a Direção-Geral da Saúde, a Escola Nacional de Saúde Pública ou o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Sentimos que há um esforço genuíno para conciliar essas oportunidades com a nossa atividade profissional.”
Ambos destacam também a forte cultura de colaboração existente na Unidade.
DL – “Há muita interajuda entre internos, especialistas e outros profissionais, como enfermeiros, técnicos de saúde ambiental e assistentes administrativos. Cada profissão traz uma perspetiva diferente e isso enriquece muito a nossa experiência e aprendizagem.”
Porque escolheram a especialidade de Saúde Pública?
FPV – “Antes de ingressar em Saúde Pública, fui interna de Gastrenterologia noutra instituição. Quando decidi mudar de percurso, procurei uma área que conjugasse várias dimensões que me interessavam, nomeadamente as políticas de saúde, a prevenção e o trabalho multidisciplinar. A Unidade de Saúde Pública da ULS Amadora/Sintra tem uma excelente reputação a nível nacional e posso dizer que correspondeu plenamente às expectativas. Recomendo vivamente esta especialidade e esta unidade para formação.”
DL -“Estava indeciso entre Doenças Infecciosas e Saúde Pública. Até que aconteceu algo curioso: vi o filme Contágio (2011) e fiquei particularmente impressionado com a personagem do Dr. Ellis Cheever, interpretada pelo ator Laurence Fishburne. Ao acompanhar o seu papel na resposta a uma crise de saúde pública de dimensão global, percebi o impacto que esta especialidade pode ter na proteção das pessoas e na gestão dos grandes desafios de saúde que afetam a sociedade. Foi nesse momento que comecei a olhar para a Saúde Pública de uma forma diferente.” “Mais tarde, durante o internato de formação geral no Algarve, tive a sorte de ter um excelente orientador de estágio de Saúde Pública. Foram apenas quinze dias, mas suficientes para reforçar a vontade e a inspiração para seguir esta área. Quando comecei a procurar locais para realizar a formação especializada, a então Amadora, hoje ULS Amadora/Sintra, surgia repetidamente como uma das melhores unidades de formação do país. Encontrei aqui uma forma de contribuir para a proteção das comunidades, promovendo a prevenção da doença e a melhoria da saúde da população.”
O que faz um interno de Saúde Pública?
DL – “Uma das características mais diferenciadoras do internato de Saúde Pública é o forte investimento na formação teórica. Temos um ano inteiro dedicado à aquisição dos fundamentos científicos e metodológicos que depois aplicamos na prática. Seguem-se estágios de investigação, intervenção e auditoria, entre outros. Grande parte da nossa atividade passa pela análise de situações de saúde, pela investigação e pelo desenvolvimento de intervenções que possam melhorar a saúde das populações.”
Que projetos pode desenvolver um interno de Saúde Pública?
À pergunta sobre os limites da especialidade, Francisca Pulido Valente responde de forma clara: “The sky is the limit!”(O céu é o limite). E explica: “O percurso é muito influenciado pelos interesses de cada interno. Há espaço para explorar áreas muito diferentes. Participámos, por exemplo, em projetos de vacinação na comunidade, iniciativas relacionadas com a mutilação genital feminina, programas de vigilância de vetores no âmbito do programa REVIVE, projetos de rastreio de migrantes para tuberculose e iniciativas de prevenção da infeção por VIH.” Mas o âmbito de atuação vai muito além das doenças transmissíveis.
“Também trabalhamos áreas como a saúde escolar, a promoção da saúde, a prevenção da violência, os rastreios oncológicos ou os comportamentos aditivos. Eu própria trabalho na área do álcool. As possibilidades são enormes e as instituições da comunidade estão muito abertas a colaborar com a Saúde Pública.”
Um dos exemplos destacados foi um projeto desenvolvido por um interno na área da prevenção do VIH que, pela sua relevância e sustentabilidade, continua ativo vários anos depois da sua criação.
Que mensagem deixam aos futuros internos? 
Francisca Pulido Valente e Dinis Loyens: “Recomendamos esta especialidade e esta unidade para fazer a formação especializada porque tivemos uma experiência muito positiva. Sentimo-nos apoiados, tivemos autonomia para desenvolver projetos, frequentar formações e colaborar com organismos nacionais e internacionais. É uma autonomia sustentada, acompanhada e nunca exercida sem suporte.”
Hoje, já enquanto especialistas, procuram proporcionar aos novos internos a mesma experiência que tiveram durante a sua formação.
FPV e DL – “Mantemos uma política de “porta aberta”. Queremos que os internos saibam que podem sempre procurar apoio, aconselhamento ou simplesmente discutir uma ideia. Procuramos replicar o modelo de formação e acompanhamento que recebemos.”
Os dois médicos deixam ainda uma palavra especial para a Coordenadora da Unidade de Saúde Pública: “Ter a Dra. Maria Etelvina Calé como Coordenadora da Unidade de Saúde Pública é uma enorme mais-valia. É uma líder extraordinária, muito competente, humana e inspiradora.”

A experiência de Dinis Loyens e Francisca Pulido Valente demonstra que a Saúde Pública é uma especialidade dinâmica, multidisciplinar e profundamente ligada às necessidades das populações.
Na ULS Amadora/Sintra, a formação constrói-se através da investigação, da intervenção comunitária, da inovação e do trabalho em equipa, preparando profissionais capazes de responder aos desafios da saúde de hoje e de amanhã.
ULS Amadora/Sintra – Formação de qualidade para os especialistas do futuro! Esperamos por si!