As “Bolas de Nascimento” já são muito comuns nas salas de parto do Serviço Nacional de Saúde (SNS). São bolas insufláveis, como as que encontramos em ginásios e estúdios de pilates, e servem essencialmente para promover a mobilização da mulher durante o trabalho de parto, incentivando o seu relaxamento pélvico, aliviando as dores e auxiliando a progressão do trabalho de parto.
Mas hoje vamos falar de algo completamente diferente: a “Bola Amendoim”.
Este é um recurso verdadeiramente inovador no SNS que o Bloco de Partos do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) disponibiliza desde janeiro de 2023 às suas grávidas.
De acordo com vários estudos científicos, esta bola com uma forma alongada, traz grandes benefícios durante o trabalho de parto, sobretudo aquele que é realizado com recurso à analgesia epidural.
Quais são eles?
Em primeiro lugar, uma redução muito significativa do tempo que demora o trabalho de parto, de até 90 minutos, de acordo com evidência científica recente, e ainda a diminuição relevante dos partos por cesariana.
Mas o que é que a “Bola Amendoim” tem assim de tão diferente e como atua?
À partida a sua forma, que não é redonda, mas sim em forma de um amendoim. E também o facto de não ter apenas um único tamanho. Na verdade, é disponibilizada em quatro tamanhos diferentes, para adaptar consoante a altura da parturiente e a posição que esta irá adotar. Estas bolas têm a particularidade de serem mais comumente utilizadas em mulheres em trabalho de parto sob analgesia epidural e que se encontram repouso na cama.
Sabe-se que a liberdade de movimentos durante o trabalho de parto enriquece a experiência do nascimento e é uma forma de reduzir complicações causadas pela mobilidade restrita e pelas posições horizontais.
No entanto, há momentos no trabalho de parto, em que a mulher permanece em repouso na cama. Isto acontece sobretudo quando esta deixa de sentir dor, após receber a analgesia epidural, aproveitando para descansar. Por outro lado, determinadas condições maternas e fetais, bem como a necessidade de uma monitorização fetal contínua, podem tornar bastante desafiante a liberdade de movimentos, impelindo a grávida a permanecer deitada, o que dificulta a progressão do trabalho de parto.
Nestes contextos, é imprescindível uma alternativa à deambulação e à bola de nascimento tradicional, que permita apoiar a mulher na adoção de posições que lhe sejam mais vantajosas durante o trabalho de parto. É aqui que surge a “Bola Amendoim”, podendo fazer toda a diferença.
Este recurso pode ajudar durante o primeiro e o segundo estádios do trabalho de parto a partir da cama. Dependendo do nível do canal de parto em que o bebé se encontra, há posições específicas a adotar. Aliás, são muitas as posições que podem ser realizadas com a “Bola Amendoim” e é essencial o reposicionamento a cada 30 minutos, com o apoio do enfermeiro especialista. É por isso que a utilização da “Bola Amendoim” requer uma formação específica. Neste momento, todos os Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia (ESMO) do Bloco de Partos do HFF já a possuem.
Entretanto, a formação irá ser alargada a todos os ESMO da Maternidade do HFF, para possibilitar uma adoção deste recurso generalizada a todas as grávidas que o desejem, potenciando uma experiência mais humanizada e positiva de parto.
As enfermeiras Mariana Simões, Inês Tavares e Paula Pires são as responsáveis pela introdução e formação inicial sobre a “Bola Amendoim” no HFF, e explicam porque é que se sentiram motivadas a apresentar este projeto que de imediato teve acolhimento pelo Conselho de Administração do HFF: “Existem seis estudos entre 2015 e 2022 que demonstram evidência científica acerca dos benefícios da utilização desta bola durante o trabalho de parto. A redução da duração do trabalho de parto pode ir até aos 90 minutos e a redução da taxa de cesarianas pode ascender até aos 20%”, diz Mariana Simões.
“Este é um recurso ainda muito recente, apesar de ser já muito utilizado nos EUA. Trata-se de uma técnica que promove o aumento dos diâmetros da bacia da grávida nas situações que esta se encontra em repouso na cama. Estamos muito felizes de podermos oferecer esta possibilidade às mulheres, sabendo que exige mais esforço aos profissionais de saúde”, afirma Inês Tavares.