Foi com entusiasmo que Teresa Maia, Diretora do Departamento de Saúde Mental e do Serviço de Adultos do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) e Catarina Pereira, Diretora do Serviço de Pedopsiquiatria do HFF, receberam Margaret Lanca, Professora de Psicologia no Departamento de Psiquiatria na Harvard Medical School e Elsa Henriques, Professora do Instituto Superior Técnico e membro do Conselho Executivo da Fundação Luso – Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
De visita a Portugal, enquanto membro do júri do prémio de investigação clínica em Saúde Mental – FLAD Science Award on Mental Health – Margaret Lanca, que também é Diretora do Adult Neuropsychology and Psychological Testing and Training da Cambridge Health Alliance e Presidente da Massachusetts Psychological Association, pôde conhecer de perto o funcionamento dos Serviços de Psiquiatria de Adultos e Psiquiatria da Infância e Adolescência do HFF, como exemplo de boas práticas na implementação do modelo comunitário em Serviços Locais de Saúde Mental.
Durante a visita ao HFF, Teresa Maia efetuou uma breve apresentação sobre a organização e projetos em curso no Departamento, juntamente com Catarina Pereira que se focou na intervenção do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência. Inicialmente no edifício do Hospital, a visita incluiu também duas Equipas Comunitárias de saúde mental do HFF: a de adultos, em Massamá e a que dá resposta a crianças e jovens, situada em Queluz, no edifício do Centro de Saúde.
Nesta troca de experiências – académica e clínica – foram identificados pontos comuns entre a realidade das populações servidas pela norte-americana Cambridge Health Alliance, de Massachussets e a realidade do HFF. Ambas as instituições convivem com o desafio de servir as necessidades de saúde mental de uma população de diferentes concelhos, caracterizada pela sua enorme diversidade étnica, social, cultural e linguística e que os serviços têm de considerar no dia-a-dia da sua prática clínica, adequando as suas abordagens e considerando também os recursos existentes.
Numa altura em que no HFF está em curso o crescimento da capacidade do Departamento de Saúde Mental: aumento das instalações físicas e recursos humanos, que permitirá alargar a sua resposta à população do concelho de Sintra, este encontro foi uma oportunidade para sublinhar o modelo de intervenção comunitário de saúde mental, diferenciador, que é praticado por aquele Departamento há já vários anos. A diretora do Serviço de Psiquiatria de Adultos do HFF salientou aspetos do seu funcionamento, como a intervenção orientada para as necessidades locais da população que pode ser acompanhada na comunidade por equipas de saúde mental, o que facilita a adesão de doentes e famílias às respostas terapêuticas e a multidisciplinaridade de profissionais que compõem o departamento: médicos/as, enfermeiros/as, psicólogos/as, neuropsicólogos/as, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas que tornam a resposta à população mais integrada, estruturada e mais adaptada às suas necessidades de saúde mental.
Margaret Lanca constatou, junto dos profissionais das Equipas Comunitárias, os benefícios da intervenção de proximidade e vantagens de um seguimento com continuidade e atempado. “É muito importante a resposta local, preventiva e interventiva que o Departamento garante, em fases mais precoces da doença mental e ao nível da prevenção. Esse é o caminho”, referiu Margaret Lanca. Neste âmbito, foi elogiado o programa: “Semente Gravidez”, atualmente em desenvolvimento com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, que promove o acompanhamento pré-natal e intervenção precoce junto de grávidas com doença mental e dos seus filhos e que inclui um nível de psiquiatria perinatal e outro em implementação nos Cuidados de Saúde Primários.
Foi igualmente dada grande relevância à articulação estabelecida com os centros de saúde e unidades de saúde familiares. Como referiu Teresa Maia: “o departamento desenvolve a sua atividade próxima dos cuidados de saúde primários”. E reforçou: “Temos reuniões e formações regulares, abordamos, analisamos e discutimos casos clínicos, em conjunto. De outro modo, não teríamos capacidade de intervir junto de doentes com patologias mais severas, aqueles em que o Departamento deve focar-se”.