Dermatite atópica é mais do que pele seca

25 Setembro, 2017

A dermatite atópica é uma doença crónica inflamatória da pele, também conhecida por eczema atópico, que afeta, sensivelmente, 10% das crianças portuguesas. Cerca de 80% dos casos surgem durante o primeiro ano de vida, sendo menos habitual nas crianças mais velhas e adultos.

Tem origem alérgica e não é contagiosa. As zonas afetadas variam de acordo com a idade. Na infância as lesões são avermelhadas e descamativas. Podem atingir a face, testa e queixo mas também pode surgir no couro cabeludo.

Nos adolescentes e adultos, localizam-se maioritariamente nas pregas internas dos cotovelos, joelhos, partes superiores dos pés, das mãos, tronco e pescoço.

Apesar de não ter cura, pode ser tratada com pomadas anti-inflamatórias ou comprimidos e uma correta hidratação da pele.

Como identificar

A dermatite atópica pode estar associada a doenças como asma e rinite alérgica, sendo desencadeada pela interação de fatores genéticos e ambientais.

A pele apresenta uma secura extrema. Devido à alteração da barreira cutânea, os alérgenos presentes no meio ambiente (pólen, bolores, pó doméstico) penetram mais profundamente na camada superficial da pele (epiderme), estimulando o sistema imunitário, que reage de forma excessiva.

Sintomas

  • Pele seca (xerose)
  • Prurido (comichão)
  • Vermelhidão (eritema)
  • Inchaço (edema)
  • Pele a escamar
  • Inflamação
  • Saída de líquido da pele (exsudação).

As lesões aparecem em períodos de crise e desaparecem quando a reação alérgica melhora. Quando não são tratadas, evoluem de forma crónica, parecem crostas e têm um aspeto escurecido, a chamada liquenificação.

A reação alérgica causa comichão e feridas, que podem infetar e tornarem-se dolorosas, inchadas e com pus.

Fases

Apesar da dermatite atópica ser crónica, é caracterizada por fases agudas e de remissão.
Na fase aguda da doença a pele pode ficar vermelha e inchada, com saída de líquidos orgânicos e formação de crostas. Já na remissão, ou quando crónica, as manifestações clínicas são sobretudo pele seca (xerose) e a escamar.

Como tratar

Na maior parte dos casos, a doença pode ser mantida sob controlo através de cuidados de higiene e de hidratação da pele realizados em casa. A medicação está reservada para os casos mais graves e deve sempre ser acompanhada e prescrita por um médico dermatologista.

No entanto, é importante adotar hábitos que ajudem a diminuir a inflamação:

  • Não tomar banho com água muito quente, nem mais do que uma vez por dia.
  • Não utilizar sabonetes antissépticos e antibacterianos. Optar por sabonetes mais gordurosos e neutros.
  • Aplicar hidratantes corporais adequados diariamente, de preferência sem perfume.
  • Evitar alimentos com maior possibilidade de causar alergias, como o camarão, amendoins ou leite.
  • Evitar suar (o suor aumenta a comichão).
  • Evitar as peças de lã ou fibras sintéticas. Optar pelo algodão.
  • Lavar as roupas novas antes da primeira utilização, para prevenir reações irritativas.
  • Evitar o contacto com os alergénios do ambiente (exemplos: ácaros do pó ou animais de companhia).

É importante manter a casa arejada durante todo o ano, evitar alcatifas e carpetes, aspirar frequentemente os colchões e cobri-los com sistemas anti-ácaros.

No caso dos bebés e crianças, manter as unhas sempre curtas para prevenir arranhões na pele em caso de comichão e retirar do quarto peluches ou objetos que acumulem pó (livros, por exemplo).