Gripe: uma doença que afeta a todos e muda a vida de um Hospital

24 Novembro, 2021

Entrados no designado “período da gripe”, são muitas as alterações na vida normal do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF). Este Hospital não é caso único – já que essas alterações são comuns a todos os Hospitais – mas é prevenindo o contágio desse vírus que se contribui para evitar que as alterações comuns se transformem em perturbação do trabalho das unidades de saúde.

Maiores tempos de espera, idas ao Serviço de Urgência sem motivo justificado, uma disseminação transversal da doença e muitas outras situações têm tendência a agravar-se neste período que decorre de novembro a março. Cientes dessa normal “anormalidade” fomos falar com a Doutora Bárbara Flor de Lima, responsável pelo Programa de Prevenção e Controlo de Infecções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA) no HFF.

O objetivo desta conversa, em jeito de entrevista, sobre o vírus Influenza – que é assim como os clínicos designam o vírus da gripe – é perceber a realidade do HFF e os mecanismos que estão disponíveis para evitar que as situações anómalas sejam susceptíveis de causar grande perturbação. À Instituição e aos utentes que nos procuram.

Em primeiro lugar, é preciso saber como vai o HFF lidar com a gripe e quais são as principais contingências que a doença tem no Hospital?

Bárbara Flor de Lima – Durante o inverno, e em particular durante o período de circulação de vírus influenza na comunidade, de Novembro a Março, é expectável um aumento de afluência de utentes com patologia respiratória no Serviço de urgência, bem como aumento de internamentos por infecção respiratória por vírus Influenza, sobre-infeção bacteriana e descompensação de doenças crónicas, como insuficiência cardíaca ou doença respiratória. À semelhança de anos anteriores, terá que haver organização dos diversos serviços, para que os internamentos sejam feitos de forma a minimizar potencial transmissão nosocomial. Dependente do número de casos na instituição, poderá ser, num cenário extremo, necessidade de enfermaria exclusiva a doentes com vírus influenza.

Assim, é importante perceber se a gripe, sendo uma doença maioritariamente sazonal e aparecendo numa altura pandémica com o COVID-19, implica maiores cuidados que devem/podem ser assumidos pelos utentes? E já agora – até porque é uma preocupação generalizada -, até que ponto é a gripe susceptível de fragilizar as pessoas e expô-las ao COVID? Gripe e COVID juntos é suscetível de afetar a mesma pessoa criando assim a chamada “tempestade perfeita”?

Bárbara Flor de Lima – Apesar de serem vírus distintos, as medidas de prevenção de vírus influenza e SARS COV-2 são as mesmas, será importante a manutenção do uso de máscara cirúrgica, etiqueta respiratória, desinfeção regular das mãos e evicção social no caso de queixas respiratórias. Numa altura em que ainda estamos no período pandémico da COVID, será importante a exclusão destes dois vírus nos casos de infecção respiratória ou síndroma gripal, independentemente do estado vacinal para COVID e gripe. É possível que possa haver co-infecção simultânea pelos dois vírus. Assim, em caso de infecção respiratória as precauções básicas de transmissão são fortemente recomendadas, por forma a evitar a transmissão a conviventes.

Perante o quadro traçado, como prevenir a doença e que mecanismo tem o Hospital para contribuir para essa prevenção?

Bárbara Flor de Lima – A melhor maneira de prevenir a transmissão destas duas infecções é a sua identificação precoce, no caso de doentes com infecção respiratória ou síndroma gripal. A nível de internamento hospitalar, em doentes com patologia respiratória está preconizada a pesquisa de simultânea desses dois vírus, por forma à sua identificação precoce, início de tratamento adequado e diminuição de transmissão a nível hospitalar. A nível do ambulatório, e em particular em doentes com co-morbilidades e de grupos de risco para gripe, a garantia de vacinação poderá ter um impacto significativo na prevenção.

Traçado o quadro geral, passemos ao particular. Qual o papel do PPCIRA na disseminação de informação que permita “evitar” uma maior exposição à doença.

Bárbara Flor de Lima – O GCL-PPCIRA tem um papel importante na monitorização das infecções por SARS COV-2 e influenza, entre outras, a nível hospitalar. Diariamente é feita verificação dos doentes com estes diagnósticos e avaliação de risco de transmissão na instituição. Com a actualização de normas e orientações da Direção-Geral da Saúde é enviada aos profissionais de saúde a informação, por forma a alertar e garantir o conhecimento dessas actualizações e implementação das mesmas.

Finalmente, porque a prevenção está em cada um de nós, qual o nosso papel, enquanto profissionais de Saúde, para sermos exemplo dos utentes quanto à adesão a mecanismos de prevenção e combate à doença (ex. vacinação, lavagem de mãos, evitar ajuntamentos

Bárbara Flor de Lima – Todos os profissionais de saúde têm um papel importante na prevenção da gripe e infecção por SARS COV-2, no esclarecimento de utentes, incentivo à vacinação, identificação de casos que possam ser suspeitos de Gripe ou COVID, e na garantia do cumprimento das medidas de prevenção.