IV Capítulo do Dia da Mãe: As mães das USF

8 Maio, 2024

No quarto e último capítulo que dedicamos à celebração do Dia da Mãe, damos a conhecer quatro Mães cujas famílias beneficiam de cuidados de saúde primários da ULS Amadora/Sintra. As equipas de duas unidades de saúde familiares incluídas neste trabalho – USF Arco – íris e USF Alma Mater – na Amadora, são um exemplo de uma prestação centrada nas necessidades de mães, crianças e suas famílias. Se o provérbio africano diz que «é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança», constatámos que profissionais de saúde daquelas unidades como as Enfermeiras Ema e Susana sentem orgulho em fazer parte da “aldeia” e “rede de cuidados e suporte” das Mães: Sofia, Inês, Márcia e Jéssica.

Sofia Barbosa é mãe do Santiago que tem 3 meses. Está com Rodrigo, namorado e pai do Santiago. São seguidos na Unidade de Saúde Familiar Alma Mater na Amadora. Sofia, a mãe, é utente desta unidade há + ou – 15 anos e hoje também o pai Rodrigo acompanha mãe e filho. O mesmo que nos diz que «as mães devem confiar que os pais estão cá para ajudar e fazer o seu papel. É só confiarem.»

Sobre o apoio da Unidade de Saúde na maternidade Sofia refere que «tem ajudado muito ter este apoio, no esclarecimento de dúvidas, sobre temas vários como a amamentação, vacinação, cuidados ao Santiago.» Santiago, o filho nasceu no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, da mesma ULS, e para Sofia «desde o momento do nascimento, passando pelo pós-parto, passando pela equipa do centro de saúde têm sido muito atenciosos comigo e Santiago.» Mesmo com ansiedade e cansaço habituais que caracterizam uma jovem mãe, para Sofia: «tudo compensa de o ver crescer bem.» Para Sofia Barbosa ser mãe é: «ser abrigo, ser berço, amor, suporte, dar a vida. É ser um só, acolher, dar colo, mimar; é tomar decisões e saber que partir  de agora, haverá sempre alguém que precisa de nós a 100%. E acrescenta: «ser mãe é ser feliz, é também chorar, mas ser mãe é a melhor coisa do mundo.»

Pelo à vontade com que pega o pequeno Joaquim, percebemos que Inês Castel-Branco é já uma mãe experiente, transparecendo uma tranquilidade de uma mãe “treinada” ou não fosse o Joaquim o seu quinto filho. Das vantagens que identifica na unidade de saúde, Inês é perentória em destacar a flexibilidade e empenho da sua “Enfermeira de Família: a Enfermeira Susana. «Sinto sempre uma grande proximidade e acompanhamento da equipa. Seja a esclarecerem dúvidas, na evolução do Joaquim, na facilidade em pesá-lo, na comunicação fácil.» «Eu sei que ligo e mesmo quando não atendem logo, ligam-me de volta, no próprio dia.» E continua: «A Enfermeira Susana dá-me muito reforço positivo, tira dúvidas na amamentação, dá-me segurança. E encontra sempre alternativas para encontrarmos horários que facilitam a vacinação em dia dos meus filhos.» Inês reforça o ainda o «grande progresso das consultas telefónicas e dá exemplo do acompanhamento de saúde que recebe: «mesmo em situação aguda, consigo consulta para o próprio dia, na unidade. Os profissionais dão muitas hipóteses de atendimento.»

Márcia Fouto foi mãe pela segunda vez. Agora, do pequeno Gaspar que dorme tranquilo enquanto conversamos com a família. Também é profissional de saúde e é com satisfação que refere que na USF Arco – Íris, os/as colegas de enfermagem respeitam esse facto. «Dão-me liberdade de, enquanto mãe, perguntar “tudo”, «não há perguntas que sejam esquisitas.» E prossegue: «Como me deixam à vontade para expor, acabam por ajudar-me enquanto mãe.» Márcia salienta também o elemento facilitador que é contactar com a unidade. Afirma mesmo que sente que os profissionais da unidade pertencem à sua “rede de apoio”.
Considerada pelo pai Gaspar uma mãe atenta, preocupada (às vezes demais), ambos divergem apenas no número de «agasalhos» a colocar a Gaspar e a Maria Flor de 2 anos e meio. Márcia deixa a mensagem a todas as mães: «Tudo é uma fase. Mesmo para as mais difíceis, não estão sozinhas.»

Na USF Arco – Íris conhecemos uma família composta pela pequena Isabela, a Mãe Jéssica, o Pai Ricardo, a Avó Rute e a Bisavó Manuela. À exceção de Ricardo e Rute, todos são seguidos pela Enfermeira Ema que há 29 anos acompanha várias famílias nos cuidados de saúde primários da Amadora.

Desde que nasceu, em 1995, Jéssica é acompanhada nesta unidade. Sobre o seu novo papel de mãe, Jéssica afirma: «desde o início da gravidez, nascimento prematuro da Jéssica e acompanhamento no centro de saúde sinto que estou a ser bem seguida e apoiada. Sejam vacinas ou dúvidas, a Enfermeira Ema está sempre disponível para nós.» Para Jéssica que sempre gostou muito de crianças, ser mãe: «Era o que mais queria, significa tudo e depois de conhecer o Ricardo percebi que era a pessoa certa (para ser pai).» A par da avó Rute, também Manuela se sente bem no seu recente papel de bisavó. «Sinal que ainda cá estou e posso ser útil ao dar conselhos à Jéssica de como cuidar da filha», conclui.

Ema Resende identifica em cada mãe «um estilo de maternidade e nestes 29 anos em que acompanho mães e o faço com gosto, há sempre novos desafios.» E prossegue: «As mães de hoje têm uma grande sobrecarga de tarefas. Por isso, incentivo a partilha e participação dos pais. Se houver um bom envolvimento do pai e da família, a sobrecarga de uma mãe é diminuída.»