Novo equipamento do HFF permite realizar cirurgias com recurso a fluorescência

17 Maio, 2021

A área cirúrgica do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) passou a dispor de um novo equipamento altamente diferenciado e que vem melhorar de forma significativa a segurança de diversos tipos de cirurgias. Trata-se do Sistema de Fluorescência EleVisionTM IR que permite a realização de cirurgias com recurso à técnica de fluorescência.

Esta técnica consiste na administração de um composto (verde de indocianina) que faz com que determinados tecidos do corpo humano fiquem literalmente fluorescentes quando fotoestimulados pelo laser. A diferente luminescência dos tecidos perfundidos permite diferenciá-los claramente, sendo assim possível uma melhor identificação de zonas críticas (mal perfundidas versus bem vascularizadas), identificar estruturas anatómicas relevantes como gânglios, ou áreas com zonas tumorais.

Dependendo do objetivo a obter, a administração varia entre as 48h que precedem a cirurgia, 1h antes da cirurgia ou durante a intervenção cirúrgica. Dado que se utiliza o verde indocianina, as estruturas depois de fotoestimuladas emitem uma cor verde viva, enquanto que os tecidos não perfundidos apresentam-se sem qualquer fluorescência.

Deste modo, esta informação em tempo real, permite aos cirurgiões, conseguir uma maior precisão no ato cirúrgico. Vários estudos clínicos realizados apontam para diversos benefícios resultantes do recurso a esta técnica, entre os quais o aumento da segurança do ato cirúrgico.

Vítor Nunes, diretor do Serviço de Cirurgia do HFF, destaca “a renovação que vem sendo realizada ao nível do equipamento tecnológico do bloco operatório, permitindo uma cada vez maior diferenciação da atividade cirúrgica do Hospital”. Este responsável salienta ainda que este equipamento de ponta “destina-se a ser utilizado em diversos tipos de cirurgias e especialidades cirúrgicas do HFF, que podem recorrer a esta técnica, beneficiando assim um maior número de utentes”.

A oftalmologia e a cardiologia foram as especialidades precursoras na utilização desta técnica. No entanto, tem-se assistido a um crescente e sustentado uso pela cirurgia geral, com diferentes intuitos, como por exemplo:

  • Na identificação de gânglios linfáticos
  • Na identificação de tumores:
    • Tumores neuro endócrinos, neoplasias quísticas do pâncreas ou insulinomas
    • Tumores primários ou metástases colo-rectais no fígado
    • Metástases peritoneais
  •  Na visualização de estruturas anatómicas:
    • Paratiroides
    • Ureteres
    • Vias biliares
  • Na caracterização da vascularização e perfusão de estruturas anatómicas

A história clínica, o exame objetivo e a análise prévia dos exames de imagem dos doentes que vão ser intervencionados, embora obrigatórios e fundamentais, não garantem só por si uma cirurgia de precisão. Nesse sentido é fundamental oferecer às equipas médicas, tecnologia e condições para uma medicina adaptada a cada doente.

Nesse sentido, a imagem peri-operatória proporcionada por este equipamento constitui uma mais-valia e condição obrigatória a todos os serviços que pretendem constituir-se como Centros de Excelência. “Com este equipamento e com a utilização desta técnica, o HFF acompanha a evolução da medicina e os desafios a que a excelência obriga, tornando cada vez mais evidente que ela deve ser personalizada, multidisciplinar, exigente, mais precisa e, portanto, mais segura”, conclui Vítor Nunes.