Profissionais do SMFR do HFF participam em Congresso sobre a especialidade

4 Novembro, 2021

O XXI Congresso Nacional de Medicina Física e Reabilitação contou com a participação de diversos profissionais de saúde do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF). Organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, decorreu no Porto, num formato presencial e online.

O tema central do Congresso foi: “Medicina Física e Reabilitação em Tempo de Pandemia”. Foram diversos os cursos formativos, apresentações de trabalhos científicos e workshops nas mais distintas áreas da Medicina Física e Reabilitação.

O painel de formadores no curso de Ecografia de Intervenção contou com a integração da médica fisiatra do HFF, Ana Filipa Neves. Atualmente a Ecografia de Intervenção é realizada por vários especialistas do Serviço de Medicina Física e Reabilitação (SMFR) do HFF e tem diferentes aplicabilidades, nomeadamente no contexto da consulta de toxina botulínica e na consulta de técnicas musculoesqueléticas.

Contou ainda com a presença médicos internos do SMFR do HFF e especialistas nas áreas de reabilitação Neurológica, Musculoesquelética e Linfedema. Catarina Peixoto e Eduardo Ferreira, médicos internos do SMFR do HFF, apresentaram os trabalhos científicos:
– “Linfedema primário, do diagnóstico à reabilitação” – apresentação de um caso clínico de uma utente referenciada à consulta de Medicina Física e Reabilitação (MFR) por dor e edema no dorso do pé esquerdo, posteriormente diagnosticada com Linfedema Primário Precoce. O linfedema caracteriza-se pela acumulação de linfa nos tecidos que resulta em um inchaço. Quando os vasos linfáticos sofrem lesão ou obstrução, o líquido linfático não consegue ser drenado e acumula-se nos tecidos;
– “Escoliose ideopática do adolescente? Nem sempre uma condição benigna!” – apresentação de dois casos clínicos de adolescentes seguidos em consulta especializada de MFR. A escoliose representa um motivo frequente de consulta em idade pediátrica. Apesar de poder ocorrer secundariamente a diversas patologias, a grande maioria dos casos é idiopática, embora numa fase precoce o diagnóstico seja complexo e difícil esta distinção. O objetivo deste trabalho consistiu em descrever este tipo de lesões, alertando para as principais características diferenciadoras da escoliose idiopática a fim de permitir uma identificação e tratamento precoce.

Foi atribuída uma menção honrosa ao trabalho “Toxina botulínica e terapia com ondas de choque focais na espasticidade pós-Acidente Vascular Cerebral (AVC): da teoria à ação”. Este projeto investigação irá ser desenvolvido pelas médicas fisiatras do HFF Ana Filipa Neves, Carla Vera Cruz, André Ladeira e Leonor Prates.

Este será um dos estudos pioneiros na aplicação de Terapia com Ondas de Choque (TOC) e Toxina Botulínica (BoNT-A). Tem como objetivos avaliar os resultados da possível sinergia entre estas duas modalidades terapêuticas na espasticidade pós AVC.

A espasticidade é causada por dano ou lesão a uma parte do sistema nervoso central (cérebro ou medula espinhal) que controla o movimento voluntário. Este dano interrompe sinais importantes entre o sistema nervoso e os músculos, criando um desequilíbrio que aumenta a atividade muscular ou espasmos. A espasticidade pode dificultar a movimentação, a postura e o equilíbrio. Pode também afetar sua capacidade de mover um ou mais membros, ou de mover um lado corpo.

A BoNT-A é o tratamento mais efetivo da espasticidade focal e regional e permite tratar os diferentes padrões de hiperatividade muscular. A BoNT-A não atua nas contracturas musculares embora possa prevenir a sua formação.

A TOC revelou ter efeitos na melhoria da espasticidade até aos 12 meses, melhoria da flexibilidade, controlo da dor e atividade motora, com poucos efeitos secundários e transitórios. Tem como vantagens ser não invasiva, repetível ao longo do tempo, sem limite conhecido de dose no tratamento da espasticidade.
A aplicação sinérgica destas duas modalidades poderá ajudar a ultrapassar algumas das  limitações da terapêutica com BoNT-A, nomeadamente, otimizar doses e resultados, prolongar o tempo entre injeções, favorecendo a adesão e facilitação terapêutica.