No âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, a equipa da UAVC quis privilegiar a divulgação de dois aspetos fundamentais neste tema:
Em primeiro lugar, a prevenção primária, com a realização de um rastreio de fatores de risco vascular, dinamizado pela equipa de enfermagem da Unidade, tendo-se verificado uma elevada participação de 278 pessoas (em número crescente relativamente ao ano anterior, que registou 200 participações). Um aspeto interessante é que não só contámos com utentes e familiares, mas também com muitos profissionais do HFF, contribuindo para um maior contributo de todos para a disseminação de conhecimentos nesta área. Os principais fatores identificados foram a hipertensão arterial, a obesidade e a hiperglicemia, embora o sedentarismo se tenha mostrado muito prevalente nesta população. Assim, pudemos intervir no encaminhamento para os cuidados de saúde, quando indicado, mas tivemos também oportunidade de alertar para a importância da realização de atividade física e para a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis.
Em segundo lugar, na atividade “na pele do AVC”, em que colaboraram as esquipas de enfermagem, médicas e de reabilitação da UAVC e do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, pudemos sentir e viver as formas de ultrapassar as limitações impostas pelo AVC. A experiência de nos colocarmos “no lugar” do sobrevivente e da sua família ou cuidadores permite-nos compreender melhor como se ultrapassam obstáculos e se reconstroem vidas, com o contributo não só dos profissionais de saúde, mas de todos nós, enquanto cidadãos.
E é exatamente nestes dois papéis que nos encontramos, tendo o enorme privilégio de poder contribuir para que todos, sobreviventes de AVC, seus familiares, cuidadores, amigos ou colegas de trabalho, tenham acesso não só aos melhores cuidados de saúde, mas também ao direito de reconstruir as suas vidas num caminho muitas vezes difícil.
A oportunidade que a nova Unidade Local de Saúde nos oferece, de trabalhar em continuidade com os cuidados de saúde primários e com a comunidade, saindo para lá das portas da UAVC e do próprio hospital, permitirá construir um percurso mais simples, integrador e estruturado, para que, após um AVC, todos possamos cuidar em qualidade e dignidade.