A dádiva de sangue constitui um ato voluntário, solidário e indispensável para o sistema de saúde, permitindo o tratamento de inúmeras patologias e a realização de intervenções médicas que salvam vidas.
Contudo, para garantir a segurança e eficácia deste processo, é fundamental que os dadores cumpram determinados requisitos, estabelecidos pelas entidades de saúde, que visam proteger tanto o doador como o recetor.
Critérios gerais
Em Portugal, a legislação e as orientações clínicas definem que os potenciais dadores devem ter idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos, sendo que pessoas com idade superior a 65 anos podem fazê-lo apenas após avaliação médica cuidadosa e se forem dadores regulares.
O peso mínimo exigido para a dádiva de sangue é de 50kg, assegurando que a recolha do volume sanguíneo não coloca em risco a saúde do indivíduo. Para além destes critérios básicos, é imperativo que o estado de saúde do candidato à dádiva seja bom no momento da recolha, não apresentando sinais de infeção ativa, febre ou outras condições clínicas que possam comprometer o seu bem-estar ou a qualidade do sangue dado.
Algumas restrições e cuidados
Adicionalmente, existem restrições quanto ao intervalo temporal entre dádivas. Para a dádiva de sangue total, os homens podem dar até quatro vezes por ano, respeitando um intervalo mínimo de 90 dias entre cada dádiva. As mulheres, por sua vez, podem fazê-lo até três vezes por ano, com um intervalo mínimo de 120 dias.
Estas regras garantem que o organismo do dador tem tempo suficiente para recuperar entre dádivas. No caso de dádiva de componentes específicos, como plasma ou plaquetas, os intervalos podem variar de acordo com os protocolos dos centros de recolha e as necessidades clínicas.
É igualmente importante referir que existem situações que impedem temporária ou permanentemente a dádiva de sangue. Entre estas, destacam-se a existência de doenças transmissíveis pelo sangue, como infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), hepatites B e C, ou sífilis.
A gravidez e o período de amamentação constituem impedimentos temporários, assim como o consumo recente de álcool ou a realização de tatuagens e piercings nos quatro meses anteriores à dádiva. A presença de comportamentos de risco para doenças transmissíveis implica, igualmente, a exclusão da dádiva, de modo a garantir a segurança transfusional.
O consumo de determinados medicamentos, assim como a realização de procedimentos médicos invasivos, pode exigir um período de suspensão da dádiva, variando consoante o fármaco ou o procedimento realizado. Estes aspetos são avaliados pelos profissionais de saúde no momento da triagem prévia, que tem como objetivo assegurar que apenas pessoas elegíveis e em boas condições físicas procedem à dádiva.
Recomendações adicionais
Para assegurar uma dádiva de sangue segura e confortável, recomenda-se que o dador adote algumas medidas essenciais. Antes, deve estar devidamente hidratado, tendo ingerido líquidos em quantidade suficiente nas horas que precedem o ato, e realizar uma refeição leve, evitando alimentos gordurosos que possam interferir na análise sanguínea.
Durante a dádiva, é aconselhável que o dador permaneça calmo e relaxado, seguindo as instruções da equipa de saúde e que esteja atento a qualquer sinal de desconforto. Após a recolha, é fundamental manter-se repousado no local por alguns minutos, consumir líquidos e alimentos fornecidos pelo centro de recolha, e evitar esforços físicos intensos nas horas seguintes, permitindo assim uma recuperação adequada.
Estas práticas contribuem não só para a segurança do dador, como para a qualidade do sangue recolhido, promovendo uma experiência positiva e segura para todos os envolvidos.
Em suma, a dádiva de sangue é um ato de cidadania que requer responsabilidade e o cumprimento de condições específicas que asseguram a proteção dos envolvidos. A sensibilização e informação adequadas da população são essenciais para manter e aumentar o número de dadores, garantindo um fornecimento estável e seguro para as necessidades do sistema de saúde.
O respeito pelas normas estabelecidas e o diálogo com os profissionais de saúde são fatores determinantes para o sucesso deste processo vital.
No Hospital Fernando Fonseca pode efetuar dádivas no Serviço de Sangue (Piso 2), nos dias úteis, das 08h30 às 15h00, e às terças-feiras até às 17h00.
Salve vidas. Dê sangue.