Sessão da ULS Amadora/Sintra: Tuberculose latente em profissionais de saúde – mitos e realidades

4 Junho, 2025

A Tuberculose foi tema de debate na ULS Amadora/Sintra no âmbito do programa Sessão da ULS que se realiza semanalmente no Auditório do Hospital Fernando Fonseca.

A tuberculose (TB) é uma doença infeciosa causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis. A sua transmissão ocorre através da inalação de microgotículas contendo o agente infecioso, libertadas por doentes contagiosos (geralmente com tuberculose pulmonar ou laríngea), ao tossir, falar ou espirrar. Embora afete predominantemente os pulmões, pode atingir qualquer órgão.

Esta patologia continua a representar uma ameaça significativa à saúde pública. Estima-se que a taxa global de incidência da TB tenha aumentado 4,6% entre 2020 e 2023, registando-se 10,8 milhões de novos casos e 1,25 milhões de mortes apenas em 2023, a nível mundial.

Em Portugal, as regiões de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e do Norte continuam a apresentar o maior número de casos. Os distritos de Lisboa, Porto e Setúbal mantêm taxas de notificação superiores a 20 casos por 100.000 habitantes.

A tuberculose primária corresponde à forma da doença que se desenvolve em pessoas previamente não expostas ao bacilo. Cerca de 5% das pessoas primo-infetadas desenvolvem doença clinicamente significativa. No entanto, na maioria dos imunocompetentes, a infeção é contida, originando a chamada tuberculose latente (TBIL) — uma condição assintomática e não contagiosa, mas com potencial de reativação. A TBIL é detetada por testes imunológicos, como o IGRA.

Os profissionais de saúde, pelo seu contexto ocupacional, apresentam um risco acrescido de exposição ao bacilo da TB. O uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como a utilização de proteção respiratória FFP2, FFP3, N95, ou similares, assim como o uso adicional de luvas e bata no contacto direto com os doentes infetados, e de óculos em caso de realização de procedimentos de aerossolização, são essenciais para prevenir o contágio, protegendo tanto os profissionais como os doentes. A vigilância em saúde ocupacional — através de exames de admissão, periódicos e rastreios de contacto — permite a deteção precoce de casos ativos e de TBIL, possibilitando o tratamento atempado. Trata-se de uma estratégia essencial na redução do reservatório bacilar e na prevenção da propagação da doença, contribuindo ativamente para a sua erradicação.