A Unidade de Dor da ULS Amadora/Sintra apresentou uma proposta de implementação da vertebroplastia percutânea para o tratamento de fraturas osteoporóticas vertebrais, no âmbito do desenvolvimento de um Plano Assistencial Integrado (PAI) dedicado a esta patologia. A apresentação decorreu durante a Sessão da ULS, realizada dia 28 de maio, no Auditório do Hospital Fernando Fonseca.
As fraturas vertebrais por fragilidade constituem um importante marcador de doença sistémica, com repercussões funcionais, respiratórias, metabólicas e psicológicas, estando associadas a um aumento da mortalidade entre 15% e 20% nos anos subsequentes. Embora o impacto prognóstico seja ligeiramente inferior ao da fratura do colo do fémur, esta condição não deve ser subestimada, posicionando a fratura vertebral como um verdadeiro evento sentinela de fragilidade, com consequências clínicas e vitais de elevada relevância.
Só na ULS Amadora/Sintra registaram-se 130 casos em 2024 e 139 em 2025, evidenciando uma carga clínica crescente. A apresentação destacou ainda que, segundo as recomendações da North American Spine Society (NASS) de 2024, o atraso no tratamento está associado a piores resultados clínicos, reforçando a necessidade de uma via de referenciação estruturada e de critérios rigorosos de seleção de doentes.
O Programa Assistencial Integrado (PAI) proposto posiciona a vertebroplastia percutânea como uma intervenção de eleição em casos criteriosamente selecionados, integrada numa abordagem verdadeiramente multidisciplinar. Esta iniciativa promove a articulação da Unidade de Dor com a Medicina Interna, Fisiatria, Medicina Geral e Familiar e outras especialidades relevantes, com o objetivo comum de reduzir a dor, preservar a função e melhorar a qualidade de vida desta população particularmente vulnerável.