A ULS Amadora/Sintra promoveu, dia 19 de fevereiro, uma sessão dedicada ao tema “Transfusão Emergente e Transfusão Maciça”, conceitos fundamentais no contexto do Serviço de Sangue e Medicina Transfusional do Hospital Fernando Fonseca (HFF), unidade integrada na ULS.
O HFF é um dos hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo com maior necessidade transfusional, dada a atividade diária intensa dos Serviços de Urgência e dos Blocos Operatórios. Neste contexto, surge ocasionalmente a necessidade de recorrer a circuitos de transfusão emergente ou maciça, sendo fundamental o seu correto entendimento e aplicação prática.
O pedido emergente de concentrado eritrocitário (CE) aplica-se a situações clínicas potencialmente fatais, com o objetivo de evitar a exsanguinação do doente. Antes do envio do CE, o Serviço de Sangue e Medicina Transfusional necessita de receber uma amostra sanguínea para a realização dos estudos pré-transfusionais, que decorrem em simultâneo com o envio da unidade. Caso seja detetada incompatibilidade, o serviço prescritor é imediatamente informado para interromper a transfusão, devendo manter-se os acessos venosos para hidratação e terapêutica adequada, nomeadamente em caso de reação hemolítica transfusional aguda.
Já a transfusão maciça é definida como a perda de sangue equivalente a 100% da volemia em 24 horas (volume total de sangue circulante no sistema cardiovascular de um indivíduo) ou 50% da volemia em três horas, ou ainda perdas sanguíneas a uma velocidade de 150 ml por minuto no adulto.
Cada hospital dispõe do seu Protocolo de Transfusão Maciça ou Hemorragia Maciça, baseado em normas nacionais e internacionais, incluindo as orientações da Direção-Geral da Saúde, que privilegiam a utilização de algoritmos suportados por testes laboratoriais.
A sessão reforçou a importância da adequação dos componentes sanguíneos à realidade clínica de cada doente e aos recursos disponíveis, sublinhando a articulação entre serviços como fator determinante para a eficácia da resposta em contexto de urgência.