Unidade de Cardiologia de Intervenção do HFF recebe perito internacional, em antevisão da Reunião Europeia de Cardiologia de Intervenção (EuroPCR 2026)

27 Maio, 2026

A Unidade de Cardiologia de Intervenção do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora/Sintra foi o centro português escolhido para receber o Professor Bernardo Cortese, atualmente professor de Medicina, da Universidade de Cleveland (EUA), diretor do Centro de Intervenção Coronária, dos Hospitais Harrington Heart & Vascular Institute de Cleveland, presidente do Comité Científico da Fundação italiana de investigação e inovação cardiovascular e responsável pelo acompanhamento e supervisão clínica especializada (active proctorships), em intervenção coronária percutânea (ICP) complexa, em programas académicos em países da Europa, Ásia, América Central e do Sul.

A sessão no HFF decorreu no dia 18 de maio, tendo tido uma componente teórica e outra de caráter prático, baseada em intervenções e casos reais, presenciados por colegas de outros hospitais. Antecipando a Reunião Europeia de Cardiologia de Intervenção (EuroPCR) que este ano decorreu em Paris, de 19 a 22 de maio e que contou também com profissionais da Equipa do HFF, a sessão no Hospital juntou elementos da equipa coordenada por Sérgio Bravo Batista e profissionais de outras unidades hospitalares, em torno da experiência e conhecimento do Professor Cortese sobre o tema: «Balões com eluição de fármaco na prática clínica – Redefinindo a ICP sem stent” – ICP sem stent  – Drug – Eluting Ballons (DEB) in Clinical Practice – Redefining Stentless PCI ).»

Para Sérgio Bravo Batista «foi um privilégio sermos selecionados como centro em Portugal para receber o Professor Cortese por ocasião da sua vinda à Europa, antes do EuroPCR 2026.» E acrescenta: «além da exposição e debate, tivemos oportunidade de tratar alguns doentes com lesões “de novo” com DEBs, confirmando a Unidade de Cardiologia de Intervenção do HFF como unidade na vanguarda do tratamento percutâneo da doença arterial coronária.»

Os DEB e seus benefícios

Os balões coronários com eluição de fármaco são revestidos por um medicamento anti-proliferativo, que é libertado quando o balão é insuflado dentro da artéria coronária, ficando aderente às suas paredes e impedindo a proliferação de nova placa de colesterol dentro da artéria tratada.

Os balões coronários com fármaco são uma tecnologia já utilizada na Unidade de Cardiologia de Intervenção. Tradicionalmente, têm sido usados sobretudo para o tratamento de restenose de stents, bifurcações ou de vasos de pequeno calibre. No entanto, nos últimos anos, os DEBs têm sido alvo de intensa investigação, nomeadamente em lesões coronárias “de novo”.  Nestes casos, permitem tratar uma estenose coronária, sem necessidade de implantar um stent.

Esta tecnologia é particularmente útil em doentes em que não se pretende deixar um stent implantado, como por exemplo: doentes com risco de fazer terapêutica anti-trombótica prolongada, após o tratamento (no caso dos stents, são necessários 6 a 12 meses de tratamento com dois fármacos anti-agregantes, como a aspirina; com a utilização de DEBs, esse tempo reduz-se para 3 meses); doentes em que se quer salvaguardar uma possível revasculização cirúrgica (que não seria possível com a implantação de um stent); em vasos finos (com dimensões inferiores ao diâmetro dos stents disponíveis).

Utilização de DEB na Unidade de Cardiologia de Intervenção do HFF

Em média e por ano, a Unidade realiza 1300 cateterismos e mais de 500 angioplastias. O número de aplicação de DEB tem vindo a crescer. Em 2025, a Unidade aplicou 105 e em 2026 até 15 de maio, já tinham sido aplicados 72 DEB.