Dia Europeu do 112: o número que salva-vidas

11 Fevereiro, 2022

Hoje é o Dia Europeu do 112: o número que salva-vidas! Esta data foi instituída, em 2009, por uma Convenção Tripartida entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, com o objetivo de promover a consciencialização do número europeu de emergência, alertando para a importância de ligar 112 e colaborar com as autoridades em caso de emergência.

Em parceria com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) contribui, desde 2016, para a capacidade de resposta do 112, com uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

Os operacionais da VMER Amadora-Sintra – médicos e enfermeiros – são funcionários hospitalares, todos com colocação em outros serviços, mas além do seu horário base contratualizado com o hospital, fazem ainda uma média de cinco turnos por mês na VMER. As ativações recebidas por estes profissionais são coordenadas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.

Aquando de uma ativação por parte do CODU, os nossos operacionais recebem a localização da situação de emergência para onde se devem dirigir e uma descrição sumária do que vão encontrar ao chegar ao local.

Patrícia Freitas e Nuno Falcato, fundadores e coordenadores Médica e Enfermeiro da VMER Amadora-Sintra, falam deste seu trabalho e das razões que os fazem permanecer nesta função tão exigente, mas igualmente “gratificante”.

 

“É bom sentir que fazemos a diferença”

“Sem dúvida, é um trabalho muito exigente. Vemos situações clinicamente semelhantes no hospital, mas a forma como são vividas dentro da casa das pessoas ou na rua, junto dos seus familiares e com uma equipa de apenas dois profissionais, torna tudo muito mais intenso”, afirma Patrícia Freitas, internista, que também exerce funções na Equipa Fixa do Serviço de Urgência do HFF.

Está na VMER Amadora-Sintra desde o início e já tinha experiência enquanto operacional em outras VMER. Com o tempo aprendeu a gerir as situações, tanto no que à vivência do momento diz respeito, como, à posteriori, a nível psicológico. Porém, não deixa de afirmar: “Passamos por muitas situações difíceis no hospital, mas são as que vivemos na rua que me ficam na memória, imagens que permanecem para o resto da vida.”

A médica assume que, neste aspeto, a maternidade tornou as situações graves com crianças ainda mais complicadas de digerir. “É desejável que se faça uma separação, mas nem sempre é fácil. Os casos de crianças em paragem cardio-respiratória são sempre muito difíceis de gerir”, salienta.

Mas não só, na generalidade, todos os casos de óbitos contemplam uma gestão complexa, sobretudo no que respeita aos familiares, que muitas vezes a equipa encontra em várias condições sociais. Dá como exemplo o caso de pessoas idosas que assistem à morte do seu cônjuge e que estão completamente isoladas na comunidade.

Patrícia Freitas refere que todos os dias presenciam “situações muito difíceis e de grande stress”. Porém, não se imagina a deixar a VMER: “Dá-me muita satisfação poder dar apoio neste tipo de casos e sentir que o HFF consegue servir a sua população em situações críticas e celeremente fora de portas.”

 

Momentos extremos de gravidade e de alegria

Nuno Falcato, enfermeiro-chefe do Serviço de Urgência, teve interesse pela área da emergência médica desde o início da sua carreira. Contudo, a oportunidade de colaborar com a VMER surgiu logo no início da viatura médica do HFF, em 2016, quando lhe foi proposto fazer parte da equipa de gestão da VMER em conjunto com Patrícia Freitas.

“Aceitei o desafio, mas não me fazia sentido estar a coordenar a VMER sem ter experiência de trabalho na área do pré-hospitalar. Fiz o curso de operacional da VMER e ingressei na equipa. É um serviço que prestamos à população que faz a diferença e que eu faço com gosto”, afirma.

Tal como refere, ao longo da sua vida profissional, sempre lidou com “situações de extrema gravidade”. Contudo, na VMER são-lhe apresentadas outras particularidades, com envolvimento das famílias. “Temos de nos preparar para lidar com estas situações sempre mais intensas, que nos marcam mais e para o resto da vida.”

À semelhança da sua colega de equipa, o que mais marca Nuno Falcato são os casos mais extremos com crianças, mas lembra que passam também por bons momentos: “Não sou enfermeiro com a especialidade de saúde materna e obstetrícia, mas já tenho vindo a ganhar alguma experiência ao longo destes anos de VMER. São experiências boas que também guardamos na memória.”

Para terminar, ambos os operacionais, Patrícia Freitas e Nuno Falcato, fazem referência ao facto de esta função específica lhes trazer mais competências, preparando-os melhor, para o contacto com o doente, também, dentro do hospital.

Ter contacto com a realidade das pessoas, ver as condições em que vivem, conhecer a cultura e os extratos familiares faz com que, no serviço de urgência, possam compreendê-los melhor, perceber os seus problemas e, até, adaptar a comunicação. “Com a VMER damos apoio a toda a população, independente do estrato social ou económico. Quando estamos no hospital, ao saber a zona em que residem, percebemos qual é a sua realidade, porque já lá estivemos, conseguimos entender, por exemplo, porque é que não têm capacidade de cumprir a medicação e mais facilmente vamos ao encontro das suas necessidades”, afirmam.