Fernando Fonseca: o ilustre médico que dá nome ao HFF nasceu há 126 anos

26 Abril, 2021

O dia 26 de abril é uma data simbólica para o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF). Nesse dia, em 1895, nascia Fernando da Conceição Fonseca, personalidade que dá o nome a esta Instituição. 

Segundo de quatro filhos de um casal de professores, nasceu e viveu os primeiros anos no seio de uma família tradicional portuguesa. O parto aconteceu em casa, no 2º andar do número 36 da Rua das Praças, à Lapa, em Lisboa.

O futuro veio a consagrar Fernando Fonseca como uma das mais ilustres figuras da medicina em Portugal. De tal forma que teve direito a Hospital com o seu nome: 

“Considerando ser da maior justiça render homenagem à memória de Prof. Doutor Fernando Fonseca, que foi personalidade eminente no domínio das ciências médicas e no domínio das qualidades humanas;  

Considerando que a atribuição do seu nome à importante unidade de saúde que virá a constituir o futuro Hospital Ocidental de Lisboa se afigura forma adequada de consagrar a sua memória;  

Considerando a oportunidade dessa consagração, na altura em que se prepara uma sessão pública em sua homenagem:  

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Saúde, que seja atribuído o nome do Prof. Doutor Fernando Fonseca ao futuro Hospital Ocidental de Lisboa, cujo projeto de construção já foi decidido e está em execução pelo Ministério do Equipamento Social” 

É o que pode ler-se na Portaria publicada a 17 de agosto de 1985, em que o governo à época, pela mão do ministro da Saúde, António Manuel Maldonado Gonelha, determina esta homenagem ao Professor Doutor Fernando Fonseca.  

Estudou no Liceu Pedro Nunes. Licenciado em Medicina, em 1918, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, terminou o bacharelato em Medicina com a classificação final de 18 valores. 

Integrou o Corpo Expedicionário Português como alferes médico na I Guerra Mundial. Devido aos seus feitos, recebeu a Medalha da Vitória e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo (28 de junho de 1919). 

Em 1918 foi assistente na primeira clínica médica do Hospital de Santa Marta, sob orientação do professor Pulido Valente. Depois de um estágio em Berlim, em 1923, foi aprovado para Médico dos Hospitais Civis de Lisboa em 1929. 

Seguiu-se a carreira académica: Em 1933, foi aprovado para Professor Agregado da Faculdade de Medicina de Lisboa e passou a reger a cadeira de Doenças Infecto–Contagiosas. Em 1943 foi aprovado, no concurso de provas públicas, para Professor Catedrático de Propedêutica Médica da Faculdade de Medicina de Lisboa. 

A 20 de julho de 1946, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, “pelos relevantes serviços prestados ao ensino médico em Portugal”, mas terá recusado receber a condecoração. 

 

Represália política – Aposentação compulsiva 

 

Em 1947, a carreira de Fernando Fonseca sofreu um revés, conforme pode ler-se no livro “Fernando Fonseca – Memória de um Médico Ilustre”, editado em 2004 pela Comissão Executiva da Comemoração do Centenário do médico. O ilustre Professor, que nunca se tinha interessado pela política, foi convidado a participar numa grande reunião do Movimento de Unidade Democrática – MUD – que se realizou na Voz do Operário. 

A intervenção de Fernando Fonseca sobre a saúde em Portugal e a sua comparação com outros países europeus foi das mais aplaudidas. Mas estes aplausos iriam custar-lhe a sua carreira na Função Pública. 

Após o encontro político, Fernando Fonseca e outros brilhantes professores e médicos, como Pulido Valente, entre outros, foram demitidos e depois compulsivamente aposentados, e assim excluídos da universidade e da carreira médica hospitalar, por decreto de Salazar. A sua exoneração da Função Pública, quer como médico, quer como professor, chocou muita gente. 

Recusou o pedido de reintegração na Faculdade de Medicina feito pelo seu amigo Presidente da República, Almirante Américo Tomás. Morreu em 1974, no dia 20 de julho. 

A 13 de julho de 1981, foi agraciado, a título póstumo. Foi-lhe, nessa data, atribuído o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. 

São várias as memórias do passado do Professor Doutor Fernando Fonseca que existem neste Hospital. Uma delas, com que ilustramos este artigo, é um conjunto de receitas médicas manuscritas pelo próprio médico, oferecidas por uma utente ao diretor do Serviço de Medicina Intensiva do HFF e que estão em exibição nesse serviço.