Médicos do HFF participam em estudos científicos internacionais sobre COVID-19

27 Abril, 2021

O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) desenvolve, para além da atividade assistencial, uma intensa atividade de investigação, ensino e formação pré e pós-graduada. No âmbito da investigação, foram recentemente publicados dois importantes estudos científicos internacionais na área da COVID-19, que contaram com a colaboração deste Hospital, através do trabalho desenvolvido por médicos do Serviço de Cirurgia Geral.

Um destes estudos sugere que os doentes que aguardam cirurgia eletiva devem ser vacinados contra a COVID-19 antes da população em geral, contribuindo potencialmente para evitar milhares de mortes pós-operatórias relacionadas com o vírus. Com base nos elevados riscos que os doentes cirúrgicos enfrentam, os investigadores calculam que a vacinação pré-operatória de doentes cirúrgicos previne um maior número de mortes relacionadas com COVID-19 do que a vacinação da população em geral – particularmente entre os maiores de 70 anos e aqueles submetidos a cirurgia oncológica.

Entre 0.6% e 1.6% dos doentes desenvolvem infeção COVID-19 após cirurgia eletiva. Os doentes que desenvolvem infeção COVID-19 têm um risco 4 a 8 vezes superior de morte nos 30 dias seguintes à cirurgia.

Por exemplo, enquanto doentes com 70 ou mais anos submetidos a cirurgia oncológica teriam, habitualmente, uma taxa de mortalidade de 2.8%, esta aumenta para 18.6% se estes desenvolverem infeção COVID-19. À escala global, os investigadores estimam que a vacinação pré-operatória de doentes eletivos possa prevenir 58 687 mortes relacionadas com COVID-19 no espaço de um ano.

A equipa internacional de investigadores COVIDSurg Collaborative, liderada por especialistas da Universidade de Birmingham, publicou o seu estudo no British Journal of Surgery (que inclui também o European Journal of Surgery), após estudar dados de 141.582 doentes de 1.667 hospitais em 116 países, incluindo Portugal. Trata-se do maior estudo internacional de cirurgia do mundo alguma vez realizado, podendo consultá-lo aqui.

Portugal teve uma participação significativa, tendo sido incluídos 2.722 doentes de 23 hospitais do país. O HFF foi um dos hospitais envolvidos, através do Serviço de Cirurgia Geral.

Outro estudo sugere que a cirurgia dos doentes COVID positivos deve ser adiada sete semanas, uma vez que as cirurgias realizadas até seis semanas após o diagnóstico estão associadas a um risco aumentado de morte. Os investigadores concluíram que a probabilidade de morte após uma cirurgia duplica se o procedimento ocorrer nas seis semanas seguintes a um diagnóstico positivo para SARS-CoV-2.

Tendo publicado os seus resultados na revista Anaesthesia, os investigadores descobriram que os doentes operados 0-6 semanas após o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 apresentavam risco aumentado de morte pós-operatória, assim como os pacientes que ainda apresentavam sintomas de COVID-19 à data da cirurgia. Embora as diretrizes internacionais recomendem que a cirurgia deva ser adiada para doentes com teste positivo para a COVID-19, a evidência é fraca sobre a duração ideal desse adiamento. Este estudo vem responder a essa questão.

Os hospitais participantes incluíram todos os doentes submetidos a um procedimento cirúrgico em outubro de 2020. Doentes infetados com SARS-CoV-2 após a cirurgia foram excluídos do estudo. O objetivo principal foi determinar a taxa de mortalidade pós-operatória aos 30 dias após a cirurgia.

Igualmente liderado por especialistas da Universidade de Birmingham, mais de 15.000 cirurgiões trabalharam juntos como parte da rede colaborativa COVIDSurg. Foram colhidos dados de 140.727 pacientes em 1.674 hospitais em 116 países, criando um dos maiores e mais abrangentes estudos de cirurgia do mundo.

Em Portugal, 23 hospitais participaram no estudo e incluíram 2.731 doentes no total, sendo que o HFF, novamente através do Serviço de Cirurgia Geral, colaborou ativamente neste importante trabalho científico. Pode consultar este estudo aqui

Os médicos do HFF que colaboraram nos estudos referidos foram Ana Alagoa João, interna de 6º ano, António Sampaio Soares, interno de 4º ano, e Maria Picciochi, interna de 1º ano. Integram todos o Serviço de Cirurgia do HFF, o qual tem desenvolvido diversos projetos de interesse transversal para o Hospital, entre os quis a participação em diversos trabalhos científicos de âmbito nacional e internacional.

Para Ana Valverde, diretora clínica do HFF, a participação em estudos deste nível é “a demonstração da capacidade do corpo clínico do Hospital, contribuindo assim para a investigação científica, que é uma vertente fundamental da medicina”. A participação de médicos internos nesta e noutras iniciativas “é também algo que deve ser assinalado, uma vez que corporiza a aposta que o HFF faz na formação dos seus jovens médicos, sendo uma das formas de valorização do seu trabalho e também uma forma de cativar novos internos para que escolham esta Instituição para realizarem o seu percurso profissional até à obtenção do grau de especialista”, conclui Ana Valverde.