Webinar – Cuidados Neonatais em destaque

19 Janeiro, 2022

A equipa de Enfermagem do Serviço de Neonatologia do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) deu esta segunda-feira, dia 17, continuidade ao ciclo de Reuniões Científicas subordinadas à temática Pensar em Neonatologia: Da complexidade à essência dos cuidados…”. 

Sob o formato Webinar, aquela que foi a segunda Reunião Científica teve como tema central o “Stress Pós-traumático: a Parentalidade após a Neonatologia” e contou com a participação da conceituada enfermeira norte-americana Mary Coughlin (MSc, Caring Essentials Collaborative), com experiência de mais de 35 anos em Cuidados Neonatais, e da Psicóloga e investigadora Joana Baptista (PhD, ISCTE-IUL) que desenvolve a sua pesquisa na área da parentalidade e do desenvolvimento cognitivo e socioemocional da criança.

Presidente e Fundadora da Caring Essentials Collaborative, Mary Coughlin iniciou a sua intervenção promovendo uma reflexão sobre o conceito de trauma. “Não importa o que os outros pensam, nem a nossa interpretação. O trauma é uma experiência individual”, afirmou Mary Coughlin, sublinhando que o primeiro evento causador de trauma é “a separação da mãe”.

Com moderação de Inês Henriques (MSc Stud), enfermeira do Serviço de Neonatologia do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, a reunião científica teve como principal objetivo sensibilizar os profissionais de saúde que prestam cuidados em Serviços de Neonatologia para a importância das estratégias de intervenção capazes de atenuar e/ou mitigar efeitos de trauma vivido pelas famílias.

Reconhecida internacionalmente e uma voz de referência também na liderança de equipas, a enfermeira norte-americana Mary Coughlin destacou a importância de os profissionais de neonatologia desenvolverem a sua atividade “tendo um pé na realidade dos procedimentos clínicos, mas, em simultâneo, não esquecer que as vivências anteriores das famílias condicionam as respostas ao stress. Será esse equilíbrio que vai permitir que as famílias sintam que não estão sozinhas, durante o internamento”.

Para Mary Coughlin, o amor apresenta-se como uma ferramenta diferenciadora devendo por isso marcar a atividade hospitalar e clínica e também as relações desenvolvidas entre o profissional de saúde, bebé e família.

“Devem ser cultivadas relações baseadas no amor. É importante ativar funções que despertem a hormona oxitocina. Não podemos muitas vezes garantir a cura às famílias, mas através do nosso amor e da nossa compaixão podemos ajudar a promover bem-estar”, disse.

E exemplificou: “Enquanto enfermeiros somos responsáveis por assegurar que o bebé é alimentado, basta para isso, em certos casos, segurá-lo e dar-lhe um biberon… Mas, pensemos, não será que poderíamos fazer a diferença se, no momento de alimentar o bebé, lhe proporcionássemos uma experiência positiva por exemplo… dedicando-lhe atenção? Comer pode ser uma atividade assustadora para um bebé…”.

Joana Baptista, Pós-Doutorada em Psicologia pela Universidade do Minho, Professora Auxiliar no Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE e Investigadora Integrada do Centro de Investigação e Intervenção Social do IUL focou a influência das experiências adversas precoces na construção do papel parental, no desenvolvimento da vinculação, do desenvolvimento cognitivo e socioemocional da criança.

“Os pais de crianças prematuras são menos sensíveis do que os pais de crianças a termo? Não, mas os pais de crianças prematuras estão expostos a múltiplos fatores de risco que podem afetar negativamente a sensibilidade, mesmo anos após o nascimento”, referiu a psicóloga e investigadora portuguesa. Sublinha ainda que as intervenções desenvolvidas com estas crianças e famílias devem planeadas e desenvolvidas tendo as suas características individuais e necessidades específicas.

A admissão numa Neonatologia pode representar um potencial evento traumático para os recém-nascidos e as suas famílias uma vez que impacta na construção do papel parental e dinâmica familiar.