“26 Anos, 26 Testemunhos” – Rita Miguel

30 Julho, 2021

Um Hospital pode ser comparado a uma grande orquestra: vários grupos de profissionais, com ofícios e responsabilidades muito distintas, “tocam instrumentos” diversos, e as suas “melodias”, isoladamente, não compõem uma grande sinfonia; no entanto, quando reunidos, em ensemble, ressoam, perfeitos, numa poderosa polifonia.

Quando alguém chega ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), o mais provável é que nunca venha a cruzar-se ou a conhecer pessoalmente Rita Miguel. Longe vão os tempos em que Rita estava na “linha da frente”, na receção, na urgência ou na consulta externa em funções de atendimento ao público.

No entanto, é graças a um trabalho omnipresente de comunicação e sinalética, que Rita Miguel operacionaliza diariamente no HFF, que grande parte dos doentes, ou seus acompanhantes, sabe para onde ir e como proceder pelos corredores e departamentos do hospital.

Rita Miguel trabalha há 26 anos no HFF e integra, desde 2004, o Gabinete de Comunicação do HFF. Chegou a esta casa quando tinha apenas 21 anos, e aqui desenvolveu todo o seu percurso profissional, evoluindo e aceitando desafios variados.

Aqui lhe deixamos o testemunho, na primeira pessoa, de uma profissional, que dedicou mais de metade da sua vida a esta instituição, e que faz parte desta grande história que só existe, também, por sua causa.

“Cheguei ao HFF com 21 anos, em 1995. Trazia muitas expectativas e vinha com a certeza que ia conquistar novas aprendizagens! Os que juntamente comigo entraram, naquela época inicial da vida do HFF, vivenciaram momentos e experiências ímpares, por se tratar de um hospital com um modelo único e diferenciado no país. ‘Vestimos’ a camisola e arregaçamos as mangas em prol da abertura de um novo hospital tão necessário à comunidade envolvente.

Recordo-me como se fosse hoje da chamada para a entrevista de emprego, no meio de frequências do primeiro ano da faculdade. Perguntei a mim mesma: ‘E agora, como vou fazer tudo isto?’ Foram quatro longos anos como trabalhadora-estudante, mas fez-se e faz-se sempre: basta acreditar e querer!

Metaforicamente, senti que ia levantar voo. Dentro do meu fato azul-escuro, com rebordo bordeaux, muito aprumadinho, lembrando uma hospedeira, tinha a função de receber os visitantes e utentes na receção do átrio principal do Hospital.

Cultivei sonhos e tive a oportunidade de vivenciar múltiplas fases, contextos e, acima de tudo, conhecer muitas pessoas, que me fizeram crescer profissionalmente e como pessoa também. Foram constantes os desafios que me propuseram.

Para além da Receção do Hospital, passei pela Urgência Geral, Consulta Externa e Internamento. Ou seja, conheço a instituição na sua essência! Refiro ainda hoje, muitas vezes, que o ideal seria todos conhecerem primeiro a ‘máquina’: só assim se compreende verdadeiramente a dinâmica e o funcionamento real deste complexo e tão desafiante sistema que são os hospitais, e que têm o “público-alvo” mais difícil – aquele que chega fragilizado e doente e que espera a resposta máxima de todos nós!
Considero, também, os nossos doentes, nestes tempos tão difíceis de pandemia que atravessámos, como o público mais heroico – pois tiveram que suportar, para além da doença, a ausência dos seus familiares, passando por todo o processo sem esse apoio tão importante.

Depois desta jornada pelo pulsar mais intenso da vida diária do HFF, enveredei pela área da Comunicação em 2004. Foi um desafio que inicialmente se demonstrou duro, e que com a continuidade, já há 17 anos, nunca deixou de me ensinar que o repto de superação permanente permaneceria.

Hoje, passados 26 anos, mais de um quarto de século, tive o privilégio de assistir ao crescimento desta instituição e da sua abertura gradual à comunidade. Passei por vários estádios e ensinamentos e lidei com todas as classes profissionais e serviços. Aprendi a identificar o ‘estilo’ de cada especialidade e a perceber as particularidades do seu funcionamento. Percebi, no entanto, que a força motora são as pessoas, que com os meios disponíveis deverão trabalhar no foco principal: o utente!

Participar numa missão deste género é algo que deve ser espontâneo e genuíno. A componente humana desta incumbência é fundamental, e não há dúvida, que ‘enriqueci’ com a sensação que o dever nunca estará cumprido na sua totalidade e que permanecerá assim, sempre!”

Fotografias de arquivo.