HFF retoma as Sessões Clínicas suspensas no início da pandemia

9 Setembro, 2021

O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) retomou hoje a realização das Sessões Clínicas, onde o objetivo é promover a partilha de conhecimentos e experiências entre profissionais de saúde e dar a conhecer as diferentes áreas de trabalho. Após a sua suspensão em março de 2020, devido à pandemia, voltam a acontecer num formato híbrido: presencial e online, permitindo desta forma a participação do maior número possível de profissionais tendo em conta as regras sanitárias em vigor.

As Sessões Clínicas realizar-se-ão todas as quintas-feiras, entre as 8:30h e as 9:30h, no anfiteatro do HFF, adaptado às novas exigências, e por TEAMS. Estas sessões “são relevantes para a prática clínica, pela partilha de conhecimentos, discussão, debate e encontro de profissionais dos diversos serviços, o que tem acontecido tão fugazmente nos últimos meses”, refere Diana Sousa Mendes, médica e coordenadora da Unidade de Formação e Ensino do HFF.

Para Ana Valverde, médica e Diretora Clínica do HFF “no último ano a pandemia marcou as nossas vidas. Nesse período de tempo muito aconteceu e muito aprendemos, destacando-se sobretudo a grande capacidade de adaptação à nova realidade”. Felizmente, começa a ser possível a recuperação de alguns hábitos, naturalmente adaptados às novas exigências e “a retoma da normalidade possível é algo que todos ambicionamos e é agora possível voltar a realizar estes encontros de trabalho fundamentais para a nossa prática clínica”, diz Ana Valverde.

O reinício das Sessões Clínicas vai reavivar o espírito crítico e de aprendizagem que sempre tem caracterizado os profissionais do HFF. Mesmo com as contingências que continuarão a persistir durante os próximos meses, esta iniciativa é de grande relevância para a Instituição e para os profissionais de saúde que cá trabalham, pois contribui para a corporização daquela que é a missão do Hospital: prestar cuidados de saúde diferenciados e de acordo com o estado da arte clínica.

A sessão de hoje foi dedicada a um tema que interessa a profissionais e utentes nos dias de hoje, pelo impacto que já tem no nosso dia-a-dia e pelas mudanças a que iremos ser sujeitos no futuro próximo: “Sistemas Digitais na Saúde e Mudanças no Paradigma Médico”, apresentado pelo Professor Henrique Martins, médico e gestor que tem vasto currículo nesta temática. Foi, por exemplo, um dos responsáveis pela implementação das receitas desmaterializadas em Portugal.

Após a Diretora Clínica ter aberto esta 1ª sessão de 2021, o palestrante apresentou alguns dos pontos essenciais relacionados com digitalização na Saúde, dos quais destacamos os seguintes:

  • Tendencialmente, os profissionais de saúde focam-se nas dificuldades com que se deparam no uso quotidiano das tecnologias e não estão tão atentos às potencialidades das mesmas na Saúde;
  • Os utentes são cada vez mais os principais agentes da sua saúde e gestores das suas doenças;
  • Nas suas escolhas profissionais os médicos das novas gerações são atraídos a trabalhar em instituições com as condições físicas que eles consideram mais inovadoras, nomeadamente no que concerne os programas de gestão de informação;
  • Os utentes são cada vez mais “digitais”: há os que usam aplicações digitais para se manterem saudáveis, aqueles que dependem de devices para sobreviverem e os que sofrem e ficam doentes por uso excessivo ou desadequado do digital;
  • A humanidade nos últimos tempos foi boa a definir indicadores de doença, mas faltam indicadores de saúde, sendo que o estado de saúde é dinâmico, depende de diversos factores e a aplicação de escalas de avaliação do estado de saúde serão relevantes na prática médica;
  • A relação médico / doente deve acima de tudo ser funcional e a revolução digital pode e deve ajudar esta relação;
  • A área da Inteligência Artificial (AI) que mais vai evoluir nos próximos tempos é a Medical AI;
  • A maior parte dos algoritmos de Medical AI são treinados por engenheiros;
  • Será necessário ser criado um novo paradigma na Saúde, envolvendo várias “medicinas”: convencional, tradicional, personalizada, digital;
  • A revolução digital vai transformar a Medicina, tornando-a mais humana, pois se recuperarmos e apostarmos na parte humana da Medicina, trataremos cada individuo de forma personalizada; por outro lado, se reduzirmos a prática médica a actividades mecânicas, seremos substituídos pela tecnologia;
  • A revolução digital vai acontecer. O importante é entrar, participar, fazer parte já. Só assim, podemos antecipar, planear e até ir discutindo as questões éticas que se avizinham;
  • No futuro seremos digital doctors e digital patients. 

Deixou algumas questões para outros encontros e debates: O que ético fazer aos dados? Será possível ensinar ética a robots?

A próxima sessão será da responsabilidade do Serviço Cirurgia Geral do HFF, e terá como tema “Traumatismo torácico, uma revisão teórico-prática”, realiza-se na quinta-feira dia 16 de setembro. Após cada sessão estas ficam guardadas online para que todos aqueles que não tiveram oportunidade de participar possam aceder às mesmas.