Língua Gestual Portuguesa no HFF

17 Janeiro, 2022

Sónia Almeida é enfermeira do nosso Serviço de Medicina Intensiva (SMI) e uma das profissionais que se voluntariou para constituir a Bolsa de Intérpretes do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), como intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP).

Filha de pai e mãe surdos, Sónia Almeida tem a LGP como segunda língua materna e está consciente e sensibilizada para as dificuldades e necessidades de comunicação dos doentes surdos que chegam a um hospital sem acompanhamento.

“Sei qual é a realidade das pessoas surdas. Vivo-a em casa. Os meus pais sempre tiveram de ser acompanhados para todo o lado. Os surdos tornam-se dependentes por uma questão de comunicação, mas, infelizmente, há muitas pessoas que não têm quem as acompanhe”, afirma Sónia Almeida, ao ser questionada sobre o que a levou a voluntariar-se.

E continua: “Voluntariei-me porque penso que é uma mais-valia para os utentes, para que se sintam mais seguros e tranquilos e para que o seu tratamento seja linear em todos os campos. É muito importante, até a nível psicológico, para não se sentirem abandonados ‘no meio’ de um hospital. Se falo esta língua, por que não ajudar?”

Mas esta iniciativa não é apenas benéfica para os doentes, mas também para os profissionais de saúde, uma vez que ficam com esta tarefa de comunicar com os doentes surdos facilitada. Os contactos diretos da enfermeira estão na Bolsa de Intérpretes e todos os colegas do HFF podem contactar, sempre que necessário.

Sónia Almeida é enfermeira desde 2010. Começou por trabalhar no Serviço de Urgência, depois na equipa de Cuidados Paliativos e está, há cerca de seis anos, no SMI. Além disso, integra, desde 2016, a equipa da VMER do HFF.

Conta que a Enfermagem foi uma escolha que fez durante o secundário. “Há quem diga que já nasceu com este dom. Eu não. Tive de fazer uma introspeção, até que percebi que este seria o meu caminho, por ser uma profissão de contacto, de comunicação e de ajuda, no sentido de melhorar a vida de forma visível, com tratamentos, encaminhamentos, estudo. Não estou nada arrependida, este era e continua a ser o meu caminho”, conclui.

A Bolsa de Intérpretes do HFF é constituída por 15 profissionais desta unidade hospitalar, que se voluntariaram para facilitar a comunicação entre utentes estrangeiros ou que não ouvem e os serviços clínicos. Os nossos intérpretes falam Inglês, Espanhol, Alemão, Ucraniano, Russo, Crioulo, Crioulo da Guiné-Bissau e Língua Gestual Portuguesa.