Pediatras do HFF premiadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria

16 Dezembro, 2021

As médicas pediatras do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF) Ana Castro e Luísa Castello-Branco foram premiadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) no âmbito do 21º Congresso Nacional de Pediatria. A SPP atribui anualmente prémios e bolsas para incentivar e distinguir os médicos pediatras com o objetivo de promover e reconhecer a investigação científica por estes desenvolvida.

A médica pediatra Ana Castro foi distinguida com:
– Bolsa de Investigação SPP para o Projeto “Conhecimento da doença pelos adolescentes com doença de células falciformes”. Este projeto consiste na realização de estudo multicêntrico que inclui doentes seguidos no HFF, no Hospital Beatriz Ângelo (HBA), no Hospital Dona Estefânia (HDE), no Hospital Garcia de Orta (HGO) e no Hospital de Santa Maria (HSM), com o objetivo de avaliar o conhecimento da doença pelos adolescentes com Doença das Células Falciformes (DCF) antes e após aplicação de estratégia formal e didática de educação para a doença.
A anemia falciforme é uma doença genética com alterações da hemoglobina (a proteína transportadora de oxigénio encontrada em glóbulos vermelhos), caracterizada por glóbulos vermelhos em forma de foice (meia-lua) e anemia crónica causada por destruição excessiva de glóbulos vermelhos anormais. Os doentes com anemia falciforme apresentam sempre algum grau de anemia (que geralmente causa fadiga, fraqueza e palidez) e podem ter icterícia (amarelecimento da pele e dos olhos).
Algumas pessoas apresentam poucos sintomas adicionais. Outras têm sintomas graves e recorrentes que causam invalidez significativa e morte precoce.

– Prémio Crescer Consigo – Prémio que visa galardoar os melhores trabalhos de qualquer área científica pediátrica. O trabalho premiado intitula-se “Aplicação de instrumentos de avaliação clínicos e ecográficos no rastreio da artropatia hemofílica” e foi realizado durante o estágio de Hematologia no Hospital Dona Estefânia.
A hemofilia é uma coagulopatia hereditária provocada. Manifesta-se por episódios repetidos de hemorragia, atingindo na maioria das vezes o sistema músculo-esquelético, particularmente, sob a forma de hemartroses de repetição.
Na ausência de tratamento, a doença evolui, inevitavelmente, para uma condição muito debilitante – Artropatia Hemofílica (AH) – que provoca uma redução drástica da qualidade de vida dos doentes hemofílicos, desde uma idade muito jovem. Este trabalho teve como objetivos identificar complicações osteoarticulares em crianças com hemofilia grave utilizando dois instrumentos de avaliação validados – o Haemophilia Joint Health Score (score de avaliação clínica) e o Haemophilia Early Arthropathy Detection with Ultrasound Score (score de avaliação ecográfica) e avaliar o grau de concordância entre as duas escalas.

A médica pediatra Luísa Castello-Branco foi distinguida com o Prémio Pierre Fabre pela comunicação oral do trabalho “Rastreio de patologia do migrante em Pediatria – Casuística de 5 anos num hospital nível II”, apresentado durante o 21º Congresso Nacional de Pediatria.
A população imigrante residente em Portugal tem vindo a aumentar significativamente. O maior número de imigrantes em Portugal encontra-se distribuído pelos concelhos do Distrito de Lisboa, com importante representação nos concelhos da Amadora e de Sintra, a área de influência do HFF. Tendo em conta que HFF serve uma população com grande número de imigrantes (cerca de 10% dos imigrantes em Portugal) foi criado, em 2015, um protocolo de atuação junto das crianças imigrantes que pretende ser um rastreio oportunista, adaptado à criança e jovem, para deteção de patologias endémicas em países de baixos rendimentos, permitindo o seu diagnóstico e tratamento atempados.
O Serviço de Pediatria do HFF desenvolveu um estudo retrospetivo e descritivo de crianças e jovens submetidos a este rastreio, em contexto hospitalar, entre janeiro de 2016 e abril de 2021. Os resultados deste estudo foram analisados e apresentados no 21º Congresso Nacional de Pediatria, tendo sido este o trabalho premiado.
As autoras analisaram os processos clínicos de 256 utentes, oriundos maioritariamente da Guiné-Bissau (29,7%), Angola (19,1%) e Cabo Verde (12,1%). Foram detetadas importantes patologias, nomeadamente 55 anemias (18 ferropénicas e uma drepanocitose), quatro casos de tuberculose latente e uma tuberculose pulmonar, duas infeções por Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), três infeções por Vírus da Hepatite B, 23 parasitoses e duas mutilações genitais femininas. O protocolo de rastreio de patologia do migrante permitiu, assim, diagnosticar doenças com importante impacto na saúde individual destas crianças e jovens e pretende-se que continue a ser uma ferramenta de trabalho para uma correta vigilância do estado de saúde desta população.

Para Helena Loureiro, médica pediatra e Diretora do Serviço de Pediatria do HFF, “a distinção destas duas jovens pediatras do HFF, no contexto do 21º Congresso da SPP, é mais uma demonstração dos excelentes cuidados de saúde prestado pelo HFF e também pelo Serviço de Pediatria. A dinamização da investigação nas áreas científicas da Pediatria em Portugal é de extrema importância, pois só assim se consegue evoluir e prestar cada vez melhores cuidados de saúde aos utentes.”