Técnica endoscópica inovadora implementada no Serviço de Gastrenterologia do HFF

28 Dezembro, 2021

Esta técnica endoscópica inovadora permite remoção eficaz de neoplasias superficiais do tubo digestivo – disseção endoscópica da submucosa. Foi implementada no Hospital Professor Doutor Fonseca (HFF) há cerca de dois anos e meio, ainda antes da pandemia. Agora passados 30 meses da sua implementação o Serviço de Gastrenterologia fez um balanço e apresentou os resultados obtidos com esta técnica.

Alexandra Martins, médica e Diretora do Serviço de Gastrenterologia, e Ana Valverde, também médica e Diretora Clínica do HFF intervieram na Sessão Clínica em que foi feito esse balanço. O HFF integra o grupo restrito de hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo onde está implementada esta técnica, ainda inovadora em Portugal. O procedimento médico em questão constitui contribui para aquilo que se considera ser o futuro: uma abordagem minimamente invasiva das neoplasias superficiais do tubo digestivo.

A Disseção Endoscópica da Submucosa (DES) foi desenvolvida nos países asiáticos no final dos anos 90 para permitir a remoção de lesões superficiais do tubo digestivo (esófago, estômago e colorretais) de forma minimamente invasiva e com menor morbi-morbilidade associada, comparativamente à abordagem cirúrgica tradicional. O objetivo fundamental é um estadiamento mais preciso e uma terapêutica potencialmente curativa de neoplasias benignas ou malignas num estádio inicial, através da ressecção em bloco de lesões de maiores dimensões do que as habitualmente removidas por técnicas endoscópicas convencionais.

Na Europa, e em Portugal em particular, a difusão desta técnica foi mais lenta. Contudo, com a crescente taxa de deteção, o conhecimento sobre o tipo de lesões a que se destinam e o desenvolvimento técnico da endoscopia digestiva, tem sido possível praticá-la com bons resultados.

No HFF, a DES foi implementada no início de 2019, após treino dedicado (modelo animal e prática clínica) e Estágios de Endoscopia Avançada com a duração de três meses (Zhongshan Endoscopy Center, Fundan University – Xangai, China – sob a Direção do Prof. Pinghong Zhou). Esta diferenciação foi apoiada por Bolsas para Estágios de Endoscopia Digestiva atribuídas a elementos do Serviço de Gastrenterologia do HFF (Petter Cotton Advanced Endoscopy Scholarship – Dr. Luís Carvalho Lourenço, 2016; Bolsa da Sociedade Portuguesa da Endoscopia Digestiva – Drª Mariana Cardoso, 2018).

Na Sessão Clínica do HFF, intitulada “Inovação em Endoscopia Terapêutica – Disseção Endoscópica da Submucosa”, a Dr.ª Filipa Ferreira, o Dr. Fábio Correia, a Dr.ª Mariana Cardoso, o Dr. Luís Lourenço e a Dr.ª Alexandra Martins apresentaram então os resultados obtidos com a técnica nos últimos 30 meses:

Foram tratadas um total de 34 lesões, correspondendo a 32 doentes (24 lesões do estômago, 10 lesões do reto); Todos os procedimentos foram realizados na Unidade de Técnicas de Gastrenterologia, sob anestesia geral e em regime de internamento de curta duração no Serviço de Gastrenterologia do HFF (duração média de internamento de dois dias);
A taxa de ressecção em bloco foi de 87%. Sete casos correspondiam a lesões malignas precoces, das quais 5 foram consideradas ressecadas de forma curativa e mantiveram vigilância enquanto os restantes casos foram propostos para abordagem cirúrgica, no âmbito da Reunião Multidisciplinar de Oncologia Digestiva do HFF;
A taxa de complicações clinicamente significativas foi residual (quatro casos), as quais foram tratadas recorrendo a intervenção endoscópica/terapêutica conservadora. Nenhuma complicação necessitou de abordagem cirúrgica.

Esta técnica inovadora tem se revelado, assim, um sucesso. A sua utilização tem revelado um evidente benefício para todos os utentes submetidos a este tipo de cirurgia.

As fotografias onde os profissionais aparecem sem máscara correspondem às sessões realizadas durante os estágios internacionais que decorreram ainda antes da pandemia.